UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2024
Mulher, 27 anos, queixa-se de dor abdominal em baixo ventre há 4 dias. Há 2 dias, refere início de febre e leucorreia amarelada. Exame físico: frequência cardíaca (FC) = 96bpm; temperatura axilar = 38,30C; dor à palpação de hipogástrio, sem sinais de descompressão dolorosa. Exame ginecológico: colo com saída de secreção muco purulenta; ao toque, colo doloroso à mobilização; útero em AVF, tamanho normal; regiões anexiais impalpáveis, mas dolorosas. Pode-se afirmar, já que são critérios obrigatórios para seu diagnóstico, que o que levou o ginecologista a pensar no diagnóstico de doença inflamatória pélvica foi a presença de:
DIP: dor abdominal baixa + dor à mobilização do colo + dor anexial = critérios obrigatórios para diagnóstico.
O diagnóstico de Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é clínico e baseia-se em critérios mínimos obrigatórios. A presença de dor à palpação abdominal em baixo ventre, dor à mobilização do colo uterino e dor à palpação anexial são essenciais para a suspeita e início do tratamento empírico.
A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma síndrome clínica que envolve a infecção e inflamação do trato genital superior feminino, incluindo útero, tubas uterinas e ovários. É uma das causas mais comuns de dor pélvica crônica, infertilidade e gravidez ectópica, sendo de grande importância na prática ginecológica e para provas de residência. Sua etiologia é predominantemente polimicrobiana, com Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae sendo os patógenos mais frequentemente implicados. O diagnóstico da DIP é primariamente clínico, baseado em critérios mínimos obrigatórios que devem estar presentes para iniciar o tratamento empírico. Estes incluem dor à palpação abdominal em baixo ventre, dor à mobilização do colo uterino e dor à palpação anexial. Critérios adicionais, como febre, leucorreia mucopurulenta, elevação de marcadores inflamatórios (VHS, PCR) e evidência laboratorial de infecção por patógenos específicos, aumentam a especificidade do diagnóstico. A suspeita deve ser alta em mulheres jovens, sexualmente ativas, com múltiplos parceiros ou histórico de DIP. O tratamento da DIP é essencialmente antibiótico, visando cobrir os principais patógenos. A internação hospitalar é indicada em casos de gestação, ausência de resposta ao tratamento oral, intolerância a antibióticos orais, DIP grave, abscesso tubo-ovariano ou incerteza diagnóstica. O tratamento precoce e adequado é crucial para prevenir sequelas a longo prazo, como infertilidade e dor pélvica crônica, reforçando a importância do reconhecimento rápido dos critérios diagnósticos.
Os critérios mínimos obrigatórios incluem dor à palpação abdominal em baixo ventre, dor à mobilização do colo uterino e dor à palpação anexial.
Outros achados que apoiam o diagnóstico de DIP incluem febre, leucorreia mucopurulenta, elevação de VHS/PCR e evidência laboratorial de infecção por Chlamydia ou Gonorrhoeae.
A dor à mobilização do colo (sinal de Chadwick) indica inflamação pélvica e é um achado chave que diferencia a DIP de outras causas de dor abdominal baixa, como apendicite ou cistite.
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