SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2026
Considerando os pontos de vista de Bradford Hill e a evolução da inferência causal em epidemiologia, desde a sua formalização para doenças crônicas, em meados do século XX, até as críticas e refinamentos contemporâneos, é correto afirmar que:
Temporalidade é o único critério de Bradford Hill indispensável para estabelecer causalidade.
Os critérios de Hill são diretrizes para avaliar se uma associação observada é causal. A temporalidade (causa precede o efeito) é a única condição lógica obrigatória.
A inferência causal em epidemiologia evoluiu significativamente desde meados do século XX, especialmente com a transição epidemiológica para doenças crônicas, onde as causas são frequentemente multifatoriais. Os critérios de Bradford Hill surgiram como uma resposta à necessidade de ir além dos Postulados de Koch, que eram adequados apenas para doenças infecciosas agudas. Na prática médica e na pesquisa, esses critérios não devem ser vistos como um 'checklist' rígido, mas como pontos de vista para auxiliar no julgamento clínico e epidemiológico. A compreensão de que a temporalidade é o único critério absoluto ajuda residentes a interpretar criticamente estudos observacionais, diferenciando correlações espúrias de potenciais relações de causa e efeito.
Os nove critérios propostos por Austin Bradford Hill em 1965 são: Força da Associação (magnitude do risco), Consistência (reprodutibilidade em diferentes estudos), Especificidade (uma causa para um efeito), Temporalidade (a exposição precede o desfecho), Gradiente Biológico (dose-resposta), Plausibilidade (mecanismo biológico conhecido), Coerência (não conflita com a história natural da doença), Evidência Experimental e Analogia (comparação com relações similares).
A temporalidade é considerada o único critério 'sine qua non' ou indispensável. Do ponto de vista lógico e biológico, é impossível que um efeito ocorra antes de sua causa. Se em um estudo transversal ou de caso-controle não for possível garantir que a exposição ocorreu antes do início da doença, a hipótese de causalidade direta fica severamente comprometida ou refutada.
Não. Hill argumentou que a plausibilidade é limitada pelo conhecimento biológico da época. Uma associação pode ser causal mesmo que a ciência atual ainda não tenha descoberto o mecanismo fisiopatológico subjacente. Portanto, a falta de uma explicação biológica conhecida não deve ser usada para descartar uma associação epidemiológica forte e consistente.
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