ENARE/ENAMED — Prova 2021
Um paciente de 14 anos é levado ao hospital por quadro ao qual os pais chamaram de convulsão. Segundo a anamnese, o paciente apresentou movimentos generalizados, versão ocular e perda de consciência, com duração de 1 minuto, seguida por sonolência. Enquanto examina o paciente, o pediatra faz a anamnese mais detalhada. Das seguintes características, qual deve fazer o pediatra pensar em um diagnóstico alternativo?
Localizar estímulo doloroso durante episódio "convulsivo" → sugere crise não epiléptica psicogênica, não epiléptica.
A capacidade de localizar um estímulo doloroso durante um episódio de movimentos involuntários e aparente perda de consciência é um forte indicativo de que o evento não é uma crise epiléptica verdadeira, mas sim uma crise não epiléptica psicogênica (pseudoconvulsão), pois a consciência é preservada ou alterada de forma diferente.
A diferenciação entre crises epilépticas e crises não epilépticas psicogênicas (CNEP), ou pseudoconvulsões, é um desafio diagnóstico comum na neurologia pediátrica e de adultos. As CNEP são eventos paroxísticos que simulam crises epilépticas, mas não são causadas por descargas elétricas cerebrais anormais. A prevalência é significativa, e o diagnóstico incorreto pode levar a tratamentos desnecessários e efeitos adversos. A fisiopatologia das CNEP é complexa, envolvendo mecanismos psicológicos e psiquiátricos, frequentemente associados a traumas, estresse ou transtornos de ansiedade/depressão. O diagnóstico se baseia em uma anamnese detalhada da semiologia do evento, buscando características atípicas para epilepsia. Sinais como a capacidade de localizar estímulos dolorosos, movimentos assíncronos, flutuação na intensidade dos movimentos, resistência à abertura ocular e ausência de um verdadeiro período pós-ictal são sugestivos de CNEP. O tratamento das CNEP é multidisciplinar, envolvendo neurologistas, psiquiatras e psicólogos, com foco em terapia cognitivo-comportamental e manejo de comorbidades psiquiátricas. É crucial evitar o tratamento antiepiléptico desnecessário. A educação do paciente e da família sobre a natureza do quadro é fundamental para o sucesso terapêutico e para evitar estigmas.
Uma crise tônico-clônica generalizada geralmente envolve perda súbita de consciência, fase tônica (rigidez muscular), seguida por fase clônica (movimentos rítmicos), cianose, perda de controle esfincteriano e um período pós-ictal de sonolência e confusão.
As CNEP frequentemente apresentam duração mais longa, variabilidade na semiologia, movimentos assíncronos, preservação da consciência (mesmo que aparente perda), resistência à abertura ocular, e podem responder a estímulos dolorosos ou verbais durante o episódio.
Além das CNEP, deve-se considerar síncope (especialmente vasovagal), enxaqueca com aura complexa, distúrbios do movimento paroxísticos, ataques isquêmicos transitórios, e até mesmo eventos psiquiátricos como ataques de pânico.
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