Crises de Ausência: Diagnóstico e Manifestações Clínicas

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2023

Enunciado

Um adolescente compareceu ao ambulatório de neurologia acompanhado de sua mãe. O motivo da consulta foi estar apresentando vários episódios de “desligamentos” que duram aproximadamente de 5 a 10 segundos, o paciente fica com o olhar fixo, perde contato com o meio por alguns segundos e muitas vezes não é percebida pelo paciente e sim pelos familiares e/ou professores. Geralmente são precipitadas por hiperventilação durante aula de artes marciais. Qual o diagnóstico clínico mais provável para o paciente?

Alternativas

  1. A) Crises focais disperceptivas não motora.
  2. B) Crises focais perceptivas não motora.
  3. C) Crises generalizadas não motoras.
  4. D) Crise focal evoluindo para tônico-clônica bilateral.

Pérola Clínica

Adolescente com 'desligamentos' breves, olhar fixo, sem memória do evento, precipitados por hiperventilação = Crises de Ausência (generalizadas não motoras).

Resumo-Chave

A descrição de 'desligamentos' breves (5-10 segundos), com olhar fixo e perda de contato com o meio, sem que o paciente perceba o evento, e precipitados por hiperventilação, é clássica das crises de ausência. Estas são classificadas como crises generalizadas não motoras, típicas da epilepsia de ausência da infância ou juvenil.

Contexto Educacional

As crises epilépticas são manifestações clínicas de descargas elétricas anormais e excessivas no cérebro. A classificação das crises é fundamental para o diagnóstico e manejo adequados. As crises de ausência são um tipo de crise generalizada não motora, que afeta predominantemente crianças e adolescentes, sendo um componente central da epilepsia de ausência da infância ou da epilepsia de ausência juvenil. A fisiopatologia das crises de ausência envolve a ativação de circuitos talamocorticais, resultando em descargas generalizadas de ponta-onda de 3 Hz no eletroencefalograma (EEG). Clinicamente, são caracterizadas por episódios breves de 'desligamento', onde o paciente perde o contato com o meio, apresenta olhar fixo e não responde a estímulos. Esses episódios são geralmente tão curtos que o paciente pode não percebê-los, sendo notados por familiares ou professores. Um fator precipitante clássico é a hiperventilação, que pode ser utilizada como manobra de ativação durante o EEG para confirmar o diagnóstico. O diagnóstico diferencial inclui crises focais disperceptivas, que podem apresentar alteração da consciência, mas geralmente têm características semiológicas mais complexas, como automatismos, e não são tipicamente precipitadas por hiperventilação. O tratamento das crises de ausência geralmente envolve medicamentos antiepilépticos como etossuximida ou valproato de sódio. O reconhecimento precoce e o tratamento adequado são importantes para evitar prejuízos acadêmicos e sociais, e para garantir um bom prognóstico, já que a maioria dos pacientes responde bem à medicação.

Perguntas Frequentes

Quais são as características clínicas das crises de ausência?

As crises de ausência são caracterizadas por episódios súbitos e breves (geralmente 5-10 segundos) de alteração da consciência, com o paciente apresentando olhar fixo, interrupção da atividade em curso e ausência de resposta ao ambiente. O paciente geralmente não se lembra do evento e pode retomar a atividade como se nada tivesse acontecido.

Como a hiperventilação se relaciona com as crises de ausência?

A hiperventilação é um fator precipitante clássico das crises de ausência. A diminuição do CO2 sanguíneo (hipocapnia) induzida pela hiperventilação pode alterar a excitabilidade cortical, facilitando o surgimento das descargas epileptiformes generalizadas de ponta-onda 3 Hz, típicas no EEG durante uma crise de ausência.

Qual a diferença entre crises de ausência e crises focais disperceptivas?

Crises de ausência são crises generalizadas não motoras, com alteração da consciência de início e fim abruptos, sem aura. Crises focais disperceptivas (anteriormente crises parciais complexas) são focais, podem ter aura, automatismos mais complexos e a alteração da consciência pode ser mais prolongada e com recuperação gradual, além de não serem tipicamente precipitadas por hiperventilação.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo