FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2024
Escolar, sexo masculino, 7 anos de idade, é portador de doença falciforme SC em seguimento com pediatra e hematologista. Mãe refere que ele estava em uma excursão da escola e começou a sentir dor na face anterior da perna direita após mergulhar em uma cachoeira de águas geladas. Mãe tentou dar dipirona oral em casa, sem melhora da dor. Nega febre, nega sintomas respiratórios, nega alterações intestinais ou urinárias. Boa aceitação alimentar e de líquidos. Na entrada, paciente em regular estado geral, descorado 2+/4+, hidratado, ativo, FC: 110 bpm, FR: 24 irpm, Saturação: 96% em ar ambiente, sem alterações as propedêuticas cardíaca, pulmonar e abdominal, sem outros achados relevantes ao exame clínico. Refere dor nota 7 em 10 na face anterior da perna direita. Refere Hb basal de 9. Optado pela coleta de exames complementares, com Hb 8,8 g/dL, Ht 26,2%, leucócitos: 16 320 (48,7% neutrófilos, 0,4% eosinófilos, 1,2% basófilos, 42,8% linfócitos, 6,9% monócitos), plaquetas: 520000, proteína C reativa: 7,1 mg/dL, Ureia: 28 mg/dL, creatinina: 0,86 mg/dl_, Urina 1: d: 1005, proteína 2+/4+, nitrito negativo, estearase negativa, leucócitos: 1000, hemácias: 1000. Radiografia de tórax sem alterações. A prescrição inicial mais indicada neste momento é
Crise álgica falciforme → Hidratação + analgesia potente (opioides) + ácido fólico.
A crise álgica vaso-oclusiva é a complicação mais comum da doença falciforme, frequentemente precipitada por desidratação, infecções ou frio. O manejo inicial foca em hidratação vigorosa e analgesia escalonada, incluindo opioides para dor moderada a grave.
A doença falciforme é uma hemoglobinopatia genética que causa anemia hemolítica crônica e episódios de oclusão microvascular, resultando em dor intensa. A crise álgica vaso-oclusiva é a manifestação mais comum e a principal causa de hospitalização, sendo frequentemente precipitada por fatores como frio, desidratação, infecções e estresse. O manejo da crise álgica exige uma abordagem rápida e eficaz. A hidratação venosa é fundamental para reverter a desidratação e melhorar o fluxo sanguíneo. A analgesia deve ser escalonada, começando com anti-inflamatórios não esteroides e progredindo para opioides, como a morfina, para dor moderada a grave. O ácido fólico é essencial para a eritropoiese contínua, dada a hemólise crônica. É crucial reconhecer a intensidade da dor e não subestimá-la, garantindo que o paciente receba analgesia adequada. A educação do paciente e da família sobre os gatilhos e o plano de manejo é vital para prevenir e tratar as crises de forma eficaz, melhorando a qualidade de vida e reduzindo complicações.
Infecções, desidratação, exposição ao frio, estresse e fadiga são gatilhos comuns que podem precipitar uma crise vaso-oclusiva em pacientes com doença falciforme.
A conduta inicial inclui hidratação venosa vigorosa, analgesia potente com opioides (como morfina), anti-inflamatórios não esteroides (se não houver contraindicação) e ácido fólico.
O ácido fólico é crucial para a eritropoiese, sendo necessário para a produção de novas hemácias. Pacientes com doença falciforme têm hemólise crônica e, portanto, um turnover aumentado de glóbulos vermelhos, necessitando de suplementação.
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