HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2019
Um menino de seis anos de idade, com anemia falciforme, foi levado ao setor de emergência pediátrica com queixa de dor em membros inferiores há cerca de doze horas, sem febre. Já recebeu, em casa, dipirona e paracetamol, sem melhora. Ao exame físico, não apresentou anormalidades, com exceção de fácies dolorosas. A dor foi classificada como intensa (nota 7). Nesse caso hipotético, a melhor conduta é
Crise álgica intensa em anemia falciforme → opioides fortes (morfina) como primeira linha.
Em crises álgicas intensas (nota ≥ 7) em pacientes com anemia falciforme, a morfina é o analgésico de escolha. A hiper-hidratação não é a conduta inicial para dor intensa e anti-inflamatórios não hormonais devem ser usados com cautela devido ao risco renal.
A anemia falciforme é uma hemoglobinopatia genética comum no Brasil, caracterizada por hemólise crônica e crises vaso-oclusivas (CVO), que são a principal causa de dor e hospitalização. O manejo adequado da dor é crucial para evitar complicações e melhorar a qualidade de vida do paciente. A fisiopatologia da CVO envolve a polimerização da hemoglobina S em condições de hipóxia, acidose ou desidratação, levando à deformação dos eritrócitos (falcização), oclusão microvascular e isquemia tecidual. O diagnóstico da dor é clínico, e sua intensidade deve ser avaliada por escalas apropriadas para a idade. O tratamento da dor em CVO varia conforme a intensidade. Para dor leve a moderada, analgésicos comuns (paracetamol, dipirona) e AINEs podem ser usados. Para dor intensa, como no caso apresentado, opioides fortes como a morfina são a primeira escolha, administrados precocemente para evitar a cronificação da dor e o sofrimento do paciente.
A morfina é o opioide de escolha para dor intensa (nota ≥ 7) em crises vaso-oclusivas de anemia falciforme, administrada por via intravenosa.
A hiper-hidratação endovenosa não é a primeira linha para alívio da dor intensa, sendo mais indicada para prevenir desidratação e melhorar o fluxo sanguíneo, mas não substitui a analgesia.
Anti-inflamatórios não hormonais (AINEs) devem ser usados com cautela devido ao risco de nefrotoxicidade, especialmente em pacientes com comprometimento renal preexistente.
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