HMASP - Hospital Militar de Área de São Paulo — Prova 2021
Sobre a emergência endócrina crise tireotóxica, assinale a alternativa incorreta:
Crise tireotóxica → Glicocorticoides são indicados para inibir conversão T4-T3 e suporte adrenal.
Na crise tireotóxica, o uso de glicocorticoides é fundamental, pois eles inibem a conversão periférica de T4 em T3 (a forma mais ativa do hormônio) e fornecem suporte adrenal, que pode estar comprometido devido ao estresse metabólico intenso.
A crise tireotóxica, também conhecida como tempestade tireoidiana, é uma emergência endócrina rara, mas potencialmente fatal, caracterizada por uma exacerbação grave e descompensada do hipertireoidismo. Sua taxa de mortalidade, mesmo com tratamento adequado, ainda é significativa, em torno de 10-30%. É crucial o reconhecimento rápido e o início imediato do tratamento para melhorar o prognóstico. A fisiopatologia envolve um aumento súbito e maciço dos hormônios tireoidianos circulantes, ou uma resposta exacerbada dos tecidos-alvo a esses hormônios, geralmente desencadeada por um fator precipitante em um paciente com hipertireoidismo pré-existente. Fatores comuns incluem infecções, cirurgias (tireoidianas ou não), trauma, estresse agudo, cetoacidose diabética, embolia pulmonar, parto, sobrecarga de iodo (ex: contraste) e a interrupção abrupta de medicamentos antitireoidianos. O diagnóstico é clínico, baseado na tríade de disfunção termorregulatória (febre alta), disfunção do sistema nervoso central (agitação, delírio, coma) e disfunção cardiovascular (taquicardia, arritmias, insuficiência cardíaca), além de sintomas gastrointestinais (náuseas, vômitos, diarreia, icterícia). O índice de Burch e Wartofsky é uma ferramenta de pontuação que auxilia na avaliação da probabilidade e gravidade da crise. O tratamento é multifacetado e inclui: bloqueio da síntese hormonal (propiltiouracil ou metimazol), bloqueio da liberação hormonal (iodeto), bloqueio dos efeitos periféricos (betabloqueadores) e, crucialmente, o uso de glicocorticoides. Os glicocorticoides são administrados para inibir a conversão periférica de T4 em T3 e para fornecer suporte adrenal, pois a insuficiência adrenal relativa pode ocorrer devido ao estresse metabólico extremo.
Os principais fatores precipitantes da crise tireotóxica incluem infecções (pneumonia, sepse), cirurgias (tireoidianas ou extratireoidianas), traumatismos, estresse agudo, cetoacidose diabética, embolia pulmonar, parto, sobrecarga aguda de iodo (ex: contraste iodado) e retirada abrupta de medicamentos antitireoidianos.
Os glicocorticoides são essenciais no tratamento da crise tireotóxica por dois motivos principais: inibem a conversão periférica de T4 em T3 (a forma mais ativa do hormônio) e fornecem suporte adrenal, pois a reserva adrenal pode estar esgotada devido ao estresse metabólico intenso.
O diagnóstico da crise tireotóxica é eminentemente clínico, baseado na presença de sinais e sintomas graves de hipertireoidismo (febre, taquicardia, disfunção do SNC, disfunção gastrointestinal, insuficiência cardíaca) em um paciente com tireotoxicose. O índice de Burch e Wartofsky é uma ferramenta útil para auxiliar na avaliação da gravidade e no diagnóstico.
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