Crise Tireotóxica: Manejo de Emergência e Conduta Inicial

HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2024

Enunciado

Mulher, 34 anos, com diagnóstico de doença de Graves há 1 ano, vinha em tratamento medicamentoso irregular e suspendeu o uso da droga há 3 meses. É admitida na emergência com quadro de desorientação, agitação, náuseas e vómitos. Ao exame físico: temperatura axilar 40 °C, PA 160/80 mmHg, FC 132 bpm, ritmo cardíaco irregular. Exames laboratoriais da admissão: TSH 0,01 mlll/L (VR: 0,4 a 4,0), T4 livre 5 ng/dL (VR: 0,8 a 1,9), T3 5,5 ng/mL (VR: 0,7 a 1,8). Em relação à conduta inicial nesse caso, está indicado iniciar:I. metimazol em altas doses, por ser a droga antitireoidiana de escolha nesta emergência clínica.II. iodeto uma hora após a droga antitireoidiana para bloquear a síntese dos hormônios tireoidianos por meio do efeito Wolff-Chaikoff.III. Ipropranolol para reduzir a taquicardia e as outras manifestações adrenérgicas. Está/Estão correta(s) apenas a(s) afirmativa(s)

Alternativas

  1. A) I.
  2. B) III.
  3. C) I e II.
  4. D) II e III.

Pérola Clínica

Crise tireotóxica → PTU (ou metimazol) + iodeto (1h após ATD) + propranolol + dexametasona.

Resumo-Chave

Na crise tireotóxica, o tratamento inicial visa bloquear a síntese e liberação de hormônios tireoidianos, além de controlar os sintomas adrenérgicos. O iodeto deve ser administrado APÓS a droga antitireoidiana (como metimazol ou propiltiouracil) para evitar a incorporação do iodo na síntese hormonal. O propranolol é essencial para controlar a taquicardia e outros sintomas adrenérgicos.

Contexto Educacional

A crise tireotóxica, ou tempestade tireoidiana, é uma emergência endócrina grave e potencialmente fatal, caracterizada por uma exacerbação aguda e severa dos sinais e sintomas de tireotoxicose. Geralmente precipitada por fatores estressantes em pacientes com hipertireoidismo não tratado ou inadequadamente tratado, como na Doença de Graves, manifesta-se com febre alta, taquicardia, arritmias (fibrilação atrial), disfunção do sistema nervoso central (agitação, desorientação, coma) e disfunção gastrointestinal. O tratamento inicial é multifacetado e deve ser agressivo. Primeiramente, bloqueia-se a síntese de novos hormônios com drogas antitireoidianas (DATs), sendo o propiltiouracil (PTU) preferível ao metimazol em casos graves devido ao seu efeito adicional de inibir a conversão periférica de T4 em T3. Em seguida, para bloquear a liberação de hormônios pré-formados, administra-se iodeto, mas é crucial que isso ocorra pelo menos uma hora APÓS a DAT, para evitar o efeito Wolff-Chaikoff, que poderia paradoxalmente aumentar a síntese hormonal. Além disso, o controle dos sintomas adrenérgicos é vital, sendo o propranolol a droga de escolha para reduzir a taquicardia, tremores e agitação. Corticosteroides (como dexametasona) também são indicados para reduzir a conversão periférica de T4 para T3 e fornecer suporte adrenal. O manejo de suporte, incluindo fluidos, antipiréticos e tratamento de fatores precipitantes, é igualmente importante para a recuperação do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da crise tireotóxica?

A crise tireotóxica é caracterizada por exacerbação grave dos sintomas de hipertireoidismo, incluindo febre alta, taquicardia, arritmias, agitação, desorientação, náuseas, vômitos e, em casos graves, coma e insuficiência cardíaca.

Por que o iodeto deve ser administrado após a droga antitireoidiana na crise tireotóxica?

O iodeto deve ser administrado cerca de uma hora após a droga antitireoidiana (como metimazol ou propiltiouracil) para bloquear a liberação de hormônios pré-formados. Se administrado antes, pode fornecer substrato para a síntese hormonal, piorando o quadro.

Qual o papel dos betabloqueadores no tratamento da crise tireotóxica?

Os betabloqueadores, como o propranolol, são cruciais no tratamento da crise tireotóxica para controlar os sintomas adrenérgicos, como taquicardia, tremores, agitação e hipertensão, melhorando rapidamente o estado clínico do paciente.

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