UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023
Uma mulher de 28 anos é trazida para atendimento emergencial por agitação, psicose e sudorese nas últimas horas, e perda de peso nas últimas semanas. Apresenta bócio e proptose ocular e mãos quentes e úmidas. Está em ritmo de fibrilação atrial com resposta ventricular de 165/min. PA 170/100mmHg e Tax 39,5C. Marque a alternativa que apresenta uma intervenção que habitualmente não está indicada neste cenário.
Crise tireotóxica: tratar com betabloqueador, antitireoidiano, glicocorticoide e iodo. Haloperidol decanoato não é primeira linha.
A crise tireotóxica é uma emergência endócrina grave, caracterizada por exacerbação dos sintomas de hipertireoidismo, com disfunção de múltiplos órgãos. O tratamento visa bloquear a síntese e liberação de hormônios tireoidianos, controlar os sintomas adrenérgicos e dar suporte geral. O haloperidol decanoato, um antipsicótico de longa ação, não é a intervenção de escolha para a agitação aguda neste cenário.
A crise tireotóxica, ou tempestade tireoidiana, é uma emergência endócrina rara, mas com alta mortalidade se não tratada prontamente. Representa uma exacerbação grave e potencialmente fatal do hipertireoidismo, desencadeada por fatores como infecção, cirurgia, trauma, cetoacidose diabética ou interrupção de medicamentos antitireoidianos. É fundamental para residentes reconhecerem rapidamente essa condição devido à sua gravidade e à necessidade de intervenção imediata. A fisiopatologia envolve um aumento súbito e maciço dos hormônios tireoidianos circulantes, ou uma maior sensibilidade dos tecidos a esses hormônios, resultando em uma resposta adrenérgica exacerbada e disfunção multissistêmica. As manifestações clínicas são amplas e incluem febre, taquicardia, arritmias (especialmente fibrilação atrial), insuficiência cardíaca, alterações do estado mental (agitação, psicose, delírio, coma), disfunção hepática e gastrointestinal. O diagnóstico é clínico, baseado na presença dessas manifestações em um paciente com hipertireoidismo conhecido ou suspeito. O tratamento da crise tireotóxica é uma emergência médica e deve ser iniciado imediatamente. Ele se baseia em quatro pilares: 1) Bloquear a síntese de novos hormônios (com tionamidas como propiltiouracil ou metimazol); 2) Bloquear a liberação de hormônios pré-formados (com iodeto de potássio ou solução de Lugol, administrados após as tionamidas); 3) Bloquear os efeitos periféricos dos hormônios tireoidianos (com betabloqueadores, como propranolol); e 4) Fornecer suporte adrenal e reduzir a conversão T4-T3 (com glicocorticoides, como dexametasona). Medidas de suporte geral, como hidratação, controle da febre e tratamento de precipitantes, são igualmente importantes. A escolha de haloperidol decanoato, um antipsicótico de longa ação, não é apropriada para o manejo agudo da agitação neste contexto, onde o foco é reverter a causa subjacente e usar medicações de curta ação para controle sintomático.
A crise tireotóxica é um diagnóstico clínico, sem critérios laboratoriais específicos. As manifestações incluem febre alta, taquicardia desproporcional (muitas vezes com fibrilação atrial), disfunção do sistema nervoso central (agitação, psicose, coma), disfunção gastrointestinal (náuseas, vômitos, diarreia, icterícia) e insuficiência cardíaca. A escala de Burch-Wartofsky pode auxiliar na avaliação da gravidade.
O tratamento envolve uma abordagem multifacetada: 1) Bloqueio da síntese hormonal com tionamidas (propiltiouracil ou metimazol); 2) Bloqueio da liberação hormonal com iodo (solução de Lugol ou iodeto de potássio), administrado pelo menos uma hora APÓS as tionamidas; 3) Bloqueio dos efeitos periféricos com betabloqueadores (propranolol); 4) Glicocorticoides (dexametasona ou hidrocortisona) para reduzir a conversão periférica de T4 em T3 e fornecer suporte adrenal; 5) Medidas de suporte geral (hidratação, antipiréticos, resfriamento).
O haloperidol decanoato é uma formulação de haloperidol de longa ação, utilizada para o tratamento de manutenção de transtornos psicóticos crônicos. Na crise tireotóxica, a agitação e psicose são manifestações agudas da toxicidade hormonal. O tratamento primário é direcionado à tireotoxicose, e para o controle sintomático agudo, preferem-se benzodiazepínicos ou antipsicóticos de curta ação, que podem ser titulados e descontinuados conforme a melhora do quadro de base.
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