FBHC - Fundação de Beneficência Hospital de Cirurgia (SE) — Prova 2021
Paciente, sexo masculino, 26 anos, no pós-operatório tardio de cirurgia transesfenoidal para retirada de tumor bipofisário. Dá entrada na urgência com queixa de fraqueza grave e dor abdominal importante. Ao exame físico, apresenta hipotensão e abdome doloroso à palpação, sem outras alterações. Exames laboratoriais mostram hipoglicemia e hipercalemia discreta. Qual a hipótese diagnóstica e a conduta imediata?
Pós-op. hipofisário + hipotensão, hipoglicemia, dor abdominal → Crise Suprarrenal = Hidrocortisona IV + fluidos.
A crise suprarrenal é uma emergência médica que pode ocorrer em pacientes com insuficiência adrenal, especialmente após estresse (como cirurgia) ou em casos de insuficiência adrenal secundária por cirurgia hipofisária. A tríade de hipotensão, hipoglicemia e hipercalemia (discreta) é sugestiva, e o tratamento imediato com hidrocortisona venosa e expansão volêmica é crucial para evitar desfechos fatais.
A crise suprarrenal é uma emergência endócrina grave, caracterizada por insuficiência adrenal aguda, que pode ser primária (problema na glândula adrenal) ou secundária (problema na hipófise ou hipotálamo). É crucial para residentes e estudantes de medicina reconhecerem rapidamente essa condição, pois o atraso no diagnóstico e tratamento pode levar a desfechos fatais. A incidência é maior em pacientes com insuficiência adrenal conhecida ou em situações de estresse fisiológico, como cirurgias ou infecções. A fisiopatologia envolve a deficiência aguda de cortisol, que é essencial para manter a pressão arterial, glicemia e resposta ao estresse. Em pacientes com histórico de cirurgia hipofisária, a insuficiência adrenal secundária por deficiência de ACTH é a causa mais comum. O diagnóstico é clínico, baseado na apresentação de choque, hipotensão refratária, hipoglicemia e, por vezes, hipercalemia. Exames laboratoriais confirmam as alterações, mas o tratamento não deve ser postergado aguardando resultados. O tratamento é emergencial e consiste na reposição imediata de glicocorticoides (hidrocortisona IV) e fluidos intravenosos para reverter o choque e a desidratação. A hidrocortisona é preferível por ter atividade mineralocorticoide. A correção dos distúrbios eletrolíticos e glicêmicos também é fundamental. Após a estabilização, a causa subjacente da insuficiência adrenal deve ser investigada e o paciente deve ser orientado sobre a necessidade de reposição hormonal contínua e doses de estresse em futuras situações de risco.
Os sinais e sintomas clássicos incluem hipotensão, choque, fraqueza grave, dor abdominal, náuseas, vômitos, hipoglicemia, e, em casos de insuficiência adrenal primária, hiperpigmentação. A hipercalemia e hiponatremia também podem estar presentes.
A cirurgia transesfenoidal pode lesar a hipófise, resultando em deficiência de ACTH (hormônio adrenocorticotrófico), que leva à insuficiência adrenal secundária. Sem ACTH, as glândulas suprarrenais não produzem cortisol suficiente, precipitando uma crise em situações de estresse.
A conduta imediata envolve a administração de hidrocortisona venosa em alta dose (geralmente 100 mg IV em bolus, seguida de infusão ou doses repetidas) e expansão volêmica agressiva com soro fisiológico para corrigir a hipotensão e a desidratação.
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