FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2021
Menino, 2 anos de idade, com diagnóstico de anemia falciforme, no prontosocorro trazido por seu pai, com queixa há 1 dia de palidez, aumento do volume abdominal e diminuição de diurese. Ao exame clínico: regular estado geral, descorado 3+/4+, mucosas desidratadas, anictérico, afebril, sonolento, sem linfonodomegalias. Ausculta cardíaca com bulhas taquicárdicas, com sopro sistólico de 3+/6+. Tempo de enchimento capilar = 4 segundos. Ausculta respiratória sem alterações, com taquipneia, saturação de O₂ = 93%, em ar ambiente. Abdome: baço palpável a 6cm do rebordo costal esquerdo (pai refere que normalmente baço fica há 2cm do rebordo costal). Sem edemas e sem lesão de pele. Solicitados exames reproduzidos a seguir: Qual é o diagnóstico que explica os dados clínicos observados nesta criança?
Anemia falciforme + esplenomegalia aguda + sinais de choque = Crise de Sequestro Esplênico, emergência médica.
A crise de sequestro esplênico é uma complicação grave da anemia falciforme, especialmente em crianças, caracterizada por esplenomegalia aguda e rápida queda do hematócrito, podendo levar a choque hipovolêmico. Requer transfusão sanguínea urgente e reposição volêmica.
A anemia falciforme é uma hemoglobinopatia genética que predispõe a diversas complicações, sendo a crise de sequestro esplênico uma das mais graves, especialmente em crianças pequenas (geralmente entre 6 meses e 5 anos de idade). Esta condição é caracterizada pelo acúmulo agudo de grande volume de sangue no baço, levando a um aumento rápido do órgão (esplenomegalia) e a uma queda abrupta do hematócrito, podendo evoluir rapidamente para choque hipovolêmico e óbito se não tratada. O caso clínico descreve um menino de 2 anos com anemia falciforme que apresenta palidez, aumento do volume abdominal (baço palpável a 6cm do rebordo costal, com histórico de 2cm), taquicardia, tempo de enchimento capilar prolongado e diminuição da diurese, todos indicativos de hipovolemia e choque. A queda da saturação de oxigênio também é um sinal de gravidade. A presença de esplenomegalia aguda e os sinais de choque são os pilares diagnósticos da crise de sequestro esplênico. O manejo da crise de sequestro esplênico é uma emergência médica que exige reposição volêmica imediata com cristaloides e transfusão de concentrado de hemácias para corrigir a anemia e reverter o choque. A esplenectomia pode ser considerada em casos de crises recorrentes para prevenir futuros episódios. A educação dos pais sobre a palpação do baço e os sinais de alerta é fundamental para a detecção precoce e intervenção oportuna, garantindo um melhor prognóstico.
Os sinais incluem palidez súbita, aumento agudo do volume abdominal (esplenomegalia), taquicardia, hipotensão, diminuição da diurese e outros sinais de choque hipovolêmico, como tempo de enchimento capilar prolongado.
O tratamento imediato consiste em reposição volêmica agressiva com cristaloides e transfusão de concentrado de hemácias para reverter o choque e a anemia, estabilizando o paciente.
A crise vaso-oclusiva causa dor intensa sem esplenomegalia aguda ou choque. O sequestro esplênico se manifesta com esplenomegalia súbita, palidez e sinais de hipovolemia, sem dor proeminente.
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