Crise de Sequestro Esplênico: Diagnóstico e Conduta

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Um lactente de 14 meses, com diagnóstico de anemia falciforme (genótipo HbSS) identificado na triagem neonatal, é levado à unidade de emergência devido a quadro súbito de palidez intensa, prostração e aumento do volume abdominal iniciado há cerca de 3 horas. A mãe relata que a criança apresentou um quadro viral inespecífico nos últimos dois dias. Ao exame físico, o paciente encontra-se em regular estado geral, descorado 4+/4+, ictérico 1+/4+, com tempo de enchimento capilar de 4 segundos. Os sinais vitais revelam frequência cardíaca de 162 bpm, frequência respiratória de 44 irpm e pressão arterial de 68/36 mmHg. A palpação abdominal demonstra baço palpável a 6 cm do rebordo costal esquerdo, endurecido e doloroso, sendo que em consultas prévias o órgão não era palpável. Os exames laboratoriais colhidos na admissão mostram hemoglobina de 3,8 g/dL (valor basal de 7,8 g/dL), hematócrito de 12%, reticulócitos de 21% e plaquetopenia leve (98.000/mm³). Diante do quadro clínico e laboratorial apresentado, a conduta imediata e a recomendação para o seguimento deste paciente são, respectivamente:

Alternativas

  1. A) Expansão volêmica imediata com cristaloide, transfusão cautelosa de concentrado de hemácias e programação de esplenectomia eletiva após estabilização.
  2. B) Transfusão rápida de concentrado de hemácias (20 mL/kg) para restauração imediata do nível basal de hemoglobina e acompanhamento clínico ambulatorial.
  3. C) Hidratação venosa vigorosa com o dobro da necessidade basal, antibioticoterapia de amplo espectro venosa e observação da regressão espontânea do baço.
  4. D) Investigação laboratorial para infecção por Parvovírus B19, transfusão de hemácias se hemoglobina inferior a 5 g/dL e alta após recuperação da reticulocitose.

Pérola Clínica

Palidez súbita + Esplenomegalia + Reticulocitose ↑ em falcêmico = Sequestro Esplênico.

Resumo-Chave

O sequestro esplênico é uma emergência em lactentes falcêmicos; o tratamento envolve expansão volêmica e transfusão cautelosa para evitar síndrome de hiperviscosidade pós-crise.

Contexto Educacional

A crise de sequestro esplênico é uma das principais causas de morte em crianças pequenas com anemia falciforme (HbSS ou HbS-Beta Talassemia). Ocorre quando uma grande quantidade de sangue fica retida no baço, levando a choque hipovolêmico e queda abrupta da hemoglobina. Clinicamente, observa-se palidez extrema e um baço rapidamente palpável e doloroso. O tratamento imediato foca na restauração do volume circulante. A longo prazo, a autoesplenectomia por infartos repetidos protege os adultos dessa complicação, mas torna-os suscetíveis a infecções por germes encapsulados, exigindo vacinação rigorosa e antibioticoprofilaxia.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar sequestro esplênico de crise aplásica?

Ambas cursam com queda aguda da hemoglobina. No sequestro esplênico, há aumento súbito do baço e reticulocitose marcada (tentativa da medula compensar). Na crise aplásica, geralmente causada pelo Parvovírus B19, há reticulocitopenia (baixa produção medular) e o baço não aumenta de tamanho, podendo até estar em processo de autoesplenectomia.

Qual o objetivo da transfusão no sequestro esplênico?

O objetivo não é normalizar a hemoglobina para níveis de uma criança saudável, mas sim restaurar a volemia e elevar a Hb para o nível basal do paciente (geralmente 7-9 g/dL). Transfusões excessivas podem levar à síndrome de hiperviscosidade quando as hemácias sequestradas retornam à circulação durante a resolução da crise.

Por que indicar esplenectomia após o primeiro evento?

A crise de sequestro esplênico tem uma taxa de recorrência superior a 50%, e episódios subsequentes podem ser fatais. Por isso, após a estabilização do primeiro evento grave, recomenda-se a esplenectomia eletiva (geralmente após os 2 anos de idade, com profilaxia vacinal adequada) para prevenir novos episódios.

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