UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2022
Lactente, sexo feminino, nove meses, apresentou três episódios de choro, seguido de parada da respiração e cianose de lábios. Perda da consciência, seguida de abalos clônicos breves de membros superiores e inferiores. Todos os episódios foram precedidos por contrariedade, raiva ou medo. Os episódios são breves, duram no máximo um minuto, e após os mesmos, a criança desperta bem e retorna ao habitual. Segundo a mãe, a lactente engatinha, senta-se sem apoio, segura alimentos para comer, balbucia sons polissilábicos, exibe reação de estranhamento, responde quando chamada pelo nome e brinca com o espelho. Esse quadro clínico sugere:
Lactente com choro intenso, apneia, cianose, perda de consciência e abalos breves, precedido por frustração → Crise de perda de fôlego.
A crise de perda de fôlego é um evento paroxístico benigno comum na infância, caracterizado por choro intenso, apneia expiratória, cianose (tipo cianótico) ou palidez (tipo pálido), perda de consciência e, ocasionalmente, abalos clônicos breves, sempre desencadeado por dor, susto ou frustração. O desenvolvimento neuropsicomotor normal é um dado importante para o diagnóstico.
As crises de perda de fôlego (ou feitiços de choro) são eventos paroxísticos não epilépticos comuns na infância, geralmente entre 6 meses e 6 anos de idade, com pico de incidência por volta dos 2 anos. São consideradas benignas e não estão associadas a sequelas neurológicas. Existem dois tipos principais: cianótico (mais comum), desencadeado por frustração ou raiva, e pálido, desencadeado por dor ou susto. O quadro clínico típico do tipo cianótico, como descrito na questão, inicia-se com choro intenso após um estímulo emocional (contrariedade, raiva), seguido de apneia expiratória, cianose perioral e facial, perda da consciência e, em alguns casos, opistótono ou abalos clônicos breves. A recuperação é espontânea e rápida, com a criança retornando ao seu estado normal. O desenvolvimento neuropsicomotor normal da criança é um dado importante para o diagnóstico. O diagnóstico é clínico, baseado na história detalhada. É crucial diferenciar de crises convulsivas epilépticas, que geralmente não têm um desencadeante emocional tão claro, podem ter pródromos diferentes e um período pós-ictal mais prolongado. O tratamento consiste em tranquilizar os pais, explicar a benignidade do quadro e orientar sobre o manejo dos episódios, evitando reforçar o comportamento que leva à crise.
As crises são desencadeadas por dor, susto ou frustração, seguidas de choro intenso, apneia expiratória, cianose (tipo cianótico) ou palidez (tipo pálido), perda de consciência e, por vezes, abalos clônicos breves. A recuperação é rápida e completa.
As crises de perda de fôlego são sempre desencadeadas por um evento emocional ou doloroso, têm início com choro/apneia e recuperação rápida. Crises convulsivas podem ter desencadeantes variados, pródromos diferentes e um período pós-ictal de sonolência ou confusão. O desenvolvimento neuropsicomotor normal da criança também favorece a crise de perda de fôlego.
É fundamental tranquilizar os pais, explicar a natureza benigna do quadro e a ausência de sequelas neurológicas. Orientar a evitar situações de frustração excessiva e a não ceder a chantagens, mantendo a calma durante o episódio.
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