HUSE - Hospital de Urgência de Sergipe Gov. João Alves Filho — Prova 2021
Lactente, sexo feminino, nove meses, apresentou três episódios de choro, seguido de parada da respiração e cianose de lábios. Perda da consciência, seguida de abalos clônicos breves de membros superiores e inferiores. Todos os episódios foram precedidos por contrariedade, raiva ou medo. Os episódios são breves, duram no máximo um minuto, e após os mesmos, a criança desperta bem e retorna ao habitual. Segundo a mãe, a lactente engatinha, senta-se sem apoio, segura alimentos para comer, balbucia sons polissilábicos, exibe reação de estranhamento, responde quando chamada pelo nome e brinca com o espelho. Esse quadro clínico sugere:
Crise de perda de fôlego: choro + apneia + cianose/palidez + perda consciência + abalos breves, precedido por emoção forte.
As crises de perda de fôlego são eventos paroxísticos não epilépticos comuns na infância, desencadeados por emoções fortes como raiva ou medo. Caracterizam-se por apneia, cianose ou palidez, perda de consciência e, por vezes, abalos clônicos breves, diferenciando-se de convulsões pela ausência de pródromos epilépticos e recuperação rápida.
As crises de perda de fôlego, também conhecidas como espasmos do soluço, são fenômenos paroxísticos não epilépticos benignos e comuns na infância, afetando cerca de 5% das crianças entre 6 meses e 6 anos de idade. São importantes na prática pediátrica devido à angústia que causam aos pais e à necessidade de diferenciá-las de condições mais graves, como epilepsia. A fisiopatologia envolve uma resposta reflexa exagerada do sistema nervoso autônomo a um estímulo emocional (dor, raiva, medo), resultando em apneia, bradicardia e/ou assistolia transitória, levando à hipóxia cerebral e perda de consciência. O diagnóstico é clínico, baseado na história detalhada dos episódios, incluindo os desencadeantes, a sequência dos eventos e a recuperação pós-crise. É crucial observar o desenvolvimento neuropsicomotor da criança, que geralmente é normal, como descrito na questão. O tratamento consiste principalmente em educação e tranquilização dos pais, explicando a natureza benigna e autolimitada do quadro. Em casos raros e graves, pode-se considerar o uso de ferro oral se houver anemia ferropriva associada, pois esta pode exacerbar os episódios. O prognóstico é favorável, com a maioria das crianças superando as crises espontaneamente antes da idade escolar, sem impacto no desenvolvimento neurológico.
As crises de perda de fôlego geralmente iniciam com choro intenso, seguido de apneia, cianose (tipo cianótico) ou palidez (tipo pálido), perda de consciência e, ocasionalmente, abalos clônicos breves.
A diferenciação se baseia no desencadeante (emocional na perda de fôlego), na duração (geralmente <1 min na perda de fôlego) e na recuperação (rápida e sem período pós-ictal na perda de fôlego, ao contrário da convulsão).
A conduta é tranquilizar os pais e explicar a natureza benigna do quadro. O prognóstico é excelente, com resolução espontânea na maioria das crianças até os 5-6 anos de idade, sem sequelas neurológicas.
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