IPSEMG - Instituto de Previdência dos Servidores de Minas Gerais — Prova 2024
Sônia, uma paciente de 62 anos, moradora do bairro Caiçara há 20 anos em Belo Horizonte, procura sua Unidade Básica de Saúde para informações sobre encaminhamento feito ao especialista por seu médico e, ao conversar com sua Agente Comunitária de Saúde, conta de problemas enfrentados nos últimos meses. Aposentada, residia com seus dois filhos Luan e Luísa após ficar viúva há 11 anos. Conta à ACS que seu filho Luan, 33 anos, perdeu o emprego em que trabalhava como vendedor há um ano, logo após o falecimento de sua filha, Luísa, 28 anos, para um câncer de intestino metastático. Conta que seu filho sempre foi um bom menino, estudioso e responsável, mas que tem ficado com medo de sair de casa e que sente muita falta da irmã. Conta que dificuldades financeiras dos dois de manter a casa só aumentam. Com base nos dados, neste momento, a família está vivenciando uma crise do tipo
Crises paranormativas = eventos inesperados e estressores que desorganizam o ciclo de vida familiar.
Crises paranormativas são eventos imprevisíveis e não esperados no ciclo de vida familiar, como mortes súbitas, doenças graves, perdas de emprego ou desastres. Elas geram grande estresse e desorganização, exigindo adaptação e reestruturação familiar, e podem impactar profundamente a saúde mental dos membros.
O estudo do ciclo de vida familiar é fundamental na Atenção Primária à Saúde, permitindo compreender as dinâmicas e desafios enfrentados pelas famílias ao longo do tempo. As crises familiares são momentos de transição que exigem adaptação e reestruturação. As crises paranormativas, em particular, são eventos inesperados e não planejados que impactam profundamente a estrutura e o funcionamento familiar, como a morte de um membro, doenças crônicas, acidentes ou perdas financeiras significativas, como no caso da questão. A fisiopatologia dessas crises não é biológica, mas sim psicossocial, envolvendo a desorganização dos papéis, a sobrecarga emocional e a necessidade de renegociação das relações e expectativas. O diagnóstico é feito pela identificação dos eventos estressores e suas consequências na dinâmica familiar, como luto prolongado, isolamento social, dificuldades financeiras e problemas de saúde mental. A suspeita deve surgir quando há uma série de eventos traumáticos ou inesperados que afetam a capacidade de funcionamento da família e a saúde de seus membros. O tratamento e manejo envolvem o suporte psicossocial, a promoção da comunicação familiar, o encaminhamento para serviços de saúde mental e o apoio na busca por recursos sociais e financeiros. O prognóstico depende da resiliência familiar, dos recursos disponíveis e da capacidade de adaptação. É crucial que profissionais de saúde identifiquem essas crises para oferecer o suporte adequado e prevenir o agravamento dos problemas de saúde dos indivíduos e da família como um todo, atuando de forma integral.
Crises normativas são eventos esperados e previsíveis do ciclo de vida familiar, como casamento, nascimento de filhos ou saída dos filhos de casa. Crises paranormativas são eventos inesperados e imprevisíveis, como morte súbita, doenças graves, acidentes, perdas financeiras ou desastres naturais.
A morte, especialmente se inesperada ou prematura, desorganiza profundamente a estrutura e o funcionamento familiar, gerando luto, redefinição de papéis, sobrecarga emocional e estresse financeiro, caracterizando uma crise paranormativa que exige adaptação e suporte.
Crises paranormativas podem levar a transtornos de ansiedade, depressão, luto complicado, dificuldades de adaptação, problemas de relacionamento e agravamento de condições preexistentes entre os membros, exigindo suporte psicossocial e intervenção profissional.
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