HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2022
Mulher de 35 anos de idade, com antecedente de miastenia gravis, em uso regular de pirigostigmina, é admitida na unidade de emergência por quadro de infecção do trato urinário baixo, sem sinais de complicações. Foi prescrito ciprofloxacino por 3 dias, para tratamento ambulatorial. No terceiro dia de tratamento, evoluiu com fraqueza generalizada, sendo trazida novamente à unidade de emergência. Nesta ocasião, o exame físico apresentava temperatura axilar de 36,7ºC, frequência cardíaca de 115bpm, pressão arterial de 110x60mmHg, frequência respiratória de 26ipm e saturação periférica de oxigênio de 92% em ar ambiente. Apresentava fala entrecortada, não sendo capaz de contar até 10 de maneira ininterrupta. Sem outras alterações ao exame. Gasometria arterial, coletada em ar ambiente, evidenciou: pH: 7,30; PaO₂: 96mmHg; PaCO₂: 56mmHg e bicarbonato (HCO₃): 25mEq/L. Selecione a alternativa que contém o diagnóstico da paciente e a conduta que deve ser adotada neste momento:
Miastenia gravis + fraqueza respiratória aguda + PaCO2 ↑ = Crise Miastênica → IOT e imunomodulação.
A paciente apresenta sinais de insuficiência respiratória hipercápnica (PaCO2 56 mmHg, FR 26, SatO2 92%) em contexto de miastenia gravis, exacerbada por ciprofloxacino, um fármaco que pode piorar a doença. Isso configura uma crise miastênica, que exige intubação orotraqueal e tratamento imunomodulador.
A crise miastênica é uma emergência neurológica caracterizada por exacerbação grave da fraqueza muscular, que pode levar à insuficiência respiratória aguda e à necessidade de ventilação mecânica. É uma complicação séria da miastenia gravis, uma doença autoimune que afeta a junção neuromuscular. Fatores precipitantes incluem infecções (como a ITU no caso), cirurgias, estresse, gravidez e uso de certos medicamentos, como as fluoroquinolonas (ciprofloxacino). O diagnóstico da crise miastênica é clínico, baseado na história de miastenia gravis e no surgimento agudo de fraqueza respiratória ou bulbar. A avaliação da função respiratória é crucial, com atenção à frequência respiratória, capacidade vital forçada e gasometria arterial, que pode mostrar hipercapnia (PaCO2 elevada) indicando falência ventilatória. A fala entrecortada e a incapacidade de contar até 10 são sinais de fraqueza bulbar e respiratória iminente. O manejo da crise miastênica é uma prioridade e envolve a proteção da via aérea, frequentemente com intubação orotraqueal e ventilação mecânica. O tratamento específico visa modular a resposta imune, sendo as opções principais a plasmaférese ou a imunoglobulina humana endovenosa (IVIG). É fundamental suspender qualquer medicamento que possa ter precipitado a crise, como o ciprofloxacino, e reavaliar a dose de piridostigmina, que pode ser suspensa temporariamente em casos de crise colinérgica ou para evitar superestimulação.
Sinais de alerta incluem fraqueza muscular progressiva, especialmente da musculatura respiratória e bulbar (disfagia, disartria, fala entrecortada), dispneia, taquipneia e queda da saturação de oxigênio. A gasometria arterial pode revelar hipercapnia.
A conduta inicial é garantir a via aérea, geralmente com intubação orotraqueal e ventilação mecânica. Em seguida, iniciar tratamento imunomodulador com plasmaférese ou imunoglobulina humana endovenosa, e suspender fármacos que possam exacerbar a miastenia.
Diversos medicamentos podem exacerbar a miastenia gravis, incluindo alguns antibióticos (aminoglicosídeos, fluoroquinolonas como ciprofloxacino), bloqueadores neuromusculares, betabloqueadores, magnésio, e alguns anestésicos. É crucial revisar a medicação do paciente.
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