Crise Hipóxica em Cardiopatia Congênita: Manejo de Emergência

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2021

Enunciado

Uma paciente com 25 dias de vida, portadora de síndrome de Down, estenose infundibular pulmonar, comunicação interventricular, hipertrofia concêntrica do ventrículo direito e dextroposição da aorta, está internada desde o nascimento para ganho de peso. Apresentou, imediatamente após a punção de acesso venoso periférico, quadro de irritabilidade, choro inconsolável e agravamento severo de cianose.Com base nesse caso hipotético, é correto afirmar que, no atendimento à paciente, além de oxigenoterapia, deve-se considerar a prescrição de

Alternativas

  1. A) prostaglandina intravenosa.
  2. B) bólus de cristaloide com alíquotas de 10 a 20 mL/kg, apesar do risco de insuficiência cardíaca congestiva.
  3. C) diurético para reduzir a pré-carga.
  4. D) morfina e expansão com cristaloide e, se não houver melhora, indicar transfusão sanguínea e betabloqueadores.
  5. E) drogas que promovam vasodilatação sistêmica para diminuir a pós-carga, melhorando o débito cardíaco e a hipoxemia da criança.

Pérola Clínica

Crise hipóxica em cardiopata congênito → Posição joelho-tórax, O2, morfina, fluidos, betabloqueadores.

Resumo-Chave

Crises hipóxicas são emergências em pacientes com cardiopatias cianóticas, como a Tetralogia de Fallot. O tratamento visa reduzir o espasmo infundibular pulmonar e aumentar o fluxo sanguíneo pulmonar, utilizando medidas como oxigênio, morfina para sedação e redução da taquipneia, e fluidos para aumentar o retorno venoso e o enchimento do ventrículo direito. Betabloqueadores são usados para relaxar o infundíbulo.

Contexto Educacional

As crises hipóxicas, também conhecidas como crises de cianose ou "spells", são emergências pediátricas que ocorrem em pacientes com cardiopatias congênitas cianóticas, principalmente a Tetralogia de Fallot. Caracterizam-se por um aumento súbito da cianose e hipoxemia, geralmente precipitadas por choro, alimentação ou estresse, que levam a um espasmo do infundíbulo pulmonar, aumentando o shunt da direita para a esquerda. A fisiopatologia envolve o aumento da resistência vascular pulmonar devido ao espasmo infundibular e a diminuição da resistência vascular sistêmica, exacerbando o fluxo de sangue não oxigenado para a aorta. O diagnóstico é clínico, baseado nos sinais de cianose progressiva, irritabilidade e taquipneia. É crucial reconhecer esses sinais precocemente para evitar complicações neurológicas graves. O tratamento imediato visa quebrar o ciclo de hipoxemia e espasmo. Inclui posicionamento joelho-tórax para aumentar a resistência vascular sistêmica, oxigenoterapia, sedação com morfina para reduzir a taquipneia e o estresse, e expansão volêmica com cristaloide para aumentar o retorno venoso e o enchimento do ventrículo direito. Se não houver melhora, betabloqueadores como o propranolol podem ser administrados para relaxar o infundíbulo pulmonar. Em casos refratários, pode-se considerar a transfusão sanguínea para otimizar a capacidade de transporte de oxigênio.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de uma crise hipóxica em um bebê com cardiopatia congênita?

Os sinais incluem irritabilidade súbita, choro inconsolável, aumento da cianose, taquipneia e, em casos graves, letargia e convulsões.

Qual a conduta inicial para uma crise de cianose em um lactente?

A conduta inicial envolve posicionar o bebê em joelho-tórax, administrar oxigênio, sedar com morfina e expandir volume com cristaloide.

Por que betabloqueadores são usados no tratamento da crise hipóxica?

Betabloqueadores, como o propranolol, são usados para relaxar o espasmo do infundíbulo pulmonar, aumentando o fluxo sanguíneo para os pulmões e melhorando a oxigenação.

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