FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2025
Paciente masculino, 8 meses, internado na enfermaria da cardiologia pediátricaapresenta queda súbita da saturação após choro intenso, o time de resposta rápida échamado, qual a conduta mais adequada para o caso:
Crise de hipóxia → Genitopeitoral + O2 + Fenilefrina (↑ Resistência Vascular Sistêmica → ↓ Shunt D-E).
O tratamento da crise de hipóxia no Fallot visa aumentar a resistência vascular sistêmica para 'empurrar' o sangue para os pulmões, reduzindo o shunt direita-esquerda.
A crise de hipóxia é uma emergência médica em cardiologia pediátrica. Ela ocorre devido a um desequilíbrio súbito entre a resistência vascular pulmonar e sistêmica. O manejo deve ser sequencial: acalmar a criança, adotar a posição genitopeitoral, administrar oxigênio suplementar e considerar sedação (morfina ou midazolam) para reduzir o drive respiratório e o espasmo infundibular. Se as medidas iniciais falharem, o uso de vasopressores como a fenilefrina é indicado. O uso de betabloqueadores (propranolol) pode ser útil na prevenção de novas crises a longo prazo, mas o tratamento definitivo é a correção cirúrgica da cardiopatia.
A posição genitopeitoral (ou levar os joelhos ao peito) aumenta mecanicamente a resistência vascular sistêmica ao angular as artérias femorais. Esse aumento da pressão na aorta e no ventrículo esquerdo reduz o gradiente de pressão que favorece o shunt direita-esquerda através da comunicação interventricular (CIV). Como resultado, mais sangue é forçado a passar pela via de saída do ventrículo direito em direção aos pulmões, melhorando a oxigenação sistêmica.
A fenilefrina é um agonista alfa-1 adrenérgico puro que promove vasoconstrição sistêmica potente sem aumentar significativamente a frequência cardíaca. Na crise de hipóxia do Fallot, ela é usada para elevar a resistência vascular sistêmica. Ao aumentar a pós-carga do ventrículo esquerdo, a droga diminui o desvio de sangue desoxigenado da direita para a esquerda pela CIV, direcionando o fluxo sanguíneo para a artéria pulmonar, mesmo através de uma via de saída estenosada.
As crises de hipóxia (ou 'spells') são geralmente desencadeadas por eventos que reduzem a resistência vascular sistêmica ou aumentam o shunt direita-esquerda. Gatilhos comuns incluem choro intenso, dor, defecação, febre, desidratação ou taquicardia. Esses eventos levam a um espasmo do infundíbulo pulmonar ou a uma queda na pressão sistêmica, exacerbando a hipoxemia e criando um ciclo vicioso de acidose e hiperpneia.
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