PSU PRMMT - Processo Seletivo Unificado de Residência Médica do MT — Prova 2025
Primigesta, 39 anos, IG 27 semanas por USG precoce, teve diagnóstico de pré-eclampsia firmado na 24ª semana de gravidez. Na consulta de hoje, relata intensificação do edema, sem outras queixas. Ao exame físico: PA 190 × 130 mmHg, edema 3+/4, AU 26 cm, BCF 142 bpm, tônus uterino normal. O médico indica internação para abordagem da crise hipertensiva. Neste momento, qual das seguintes opções é a melhor estratégia terapêutica?
Crise hipertensiva na gestante (PA ≥ 160/110 mmHg) → Nifedipina oral 10-20mg a cada 20-30 min ou Hidralazina IV.
Na crise hipertensiva da gestação (PA ≥ 160/110 mmHg), o objetivo é a redução gradual da pressão para evitar hipoperfusão placentária. A nifedipina oral de ação rápida é uma das primeiras escolhas pela eficácia, segurança e facilidade de uso.
A pré-eclâmpsia é uma síndrome multissistêmica específica da gravidez, caracterizada por hipertensão arterial e proteinúria ou disfunção de órgãos-alvo após 20 semanas de gestação. Uma de suas complicações mais temidas é a crise hipertensiva, definida por níveis pressóricos severamente elevados (PA sistólica ≥ 160 mmHg ou PA diastólica ≥ 110 mmHg), que aumenta o risco de eventos cerebrovasculares maternos, como AVC hemorrágico. O manejo da crise hipertensiva na gestante é uma emergência médica e obstétrica. O objetivo principal é reduzir a pressão arterial de forma controlada para prevenir complicações maternas, sem comprometer a perfusão útero-placentária e causar sofrimento fetal. As drogas de primeira linha para este fim são aquelas de ação rápida e com perfil de segurança estabelecido na gestação, como a Nifedipina oral de ação curta, a Hidralazina endovenosa e o Labetalol endovenoso. O esquema com Nifedipina oral (10-20 mg a cada 20-30 minutos) é amplamente utilizado por sua eficácia e facilidade de administração. Drogas como a Metildopa são inadequadas para a crise devido ao seu início de ação lento. Paralelamente ao controle pressórico, é fundamental iniciar a profilaxia de convulsões (eclâmpsia) com sulfato de magnésio e planejar a interrupção da gestação, que é o tratamento definitivo da pré-eclâmpsia.
Os critérios incluem PA ≥ 160/110 mmHg em duas ocasiões, trombocitopenia (<100.000/mm³), disfunção hepática (transaminases > 2x o limite superior), insuficiência renal (creatinina > 1,1 mg/dL), edema pulmonar, ou sintomas cerebrais/visuais (cefaleia, escotomas).
A conduta é internação imediata, monitorização materno-fetal, iniciar anti-hipertensivo de ação rápida (ex: Nifedipina oral ou Hidralazina IV) para controle pressórico, e iniciar sulfato de magnésio para profilaxia de eclampsia. A resolução do quadro é a interrupção da gestação, a ser avaliada conforme a idade gestacional.
A metildopa é um anti-hipertensivo de ação central com início de efeito lento (4 a 6 horas). Embora seja uma droga segura e de primeira linha para o tratamento crônico da hipertensão na gravidez, ela não é eficaz para a redução rápida e controlada da pressão arterial necessária em uma crise hipertensiva.
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