Crise Hipertensiva e AVE: Conduta na Emergência

Santa Casa de Alfenas - Casa de Caridade (MG) — Prova 2015

Enunciado

Uma mulher de 55 anos, previamente hígida, apresentou crise convulsiva há 20 minutos, presenciada por familiares. Na admissão, apresenta-se inconsciente, respirando espontaneamente, com roncos e sialorreia, PA = 240 x 150 mmHg, hemiparesia direita grau II, com sinal de Babinski do mesmo lado, sem rigidez nucal, pupilas anisocóricas (E maior que D), com desvio da cabeça e olhar para a esquerda. Glicemia capilar = 160 mg\dl; ritmo sinusal ao ECG. Tomografia computadorizada de crânio sem evidencia de hemorragia ou hipodensidade cerebral evidente. A conduta correta neste momento é:

Alternativas

  1. A) Reduzir a PAS para valor menor que 185 mmHg e PAD menor que 110 mmHg, e se tiver dentro da janela terapêutica, iniciar tratamento com trombolítico
  2. B) Reduzir a PAS para valores menores que 185 mmHg e PAD menor que 110 mmHg e introduzir antiagregante plaquetário
  3. C) Iniciar trombolítico imediatamente, paralelamente ao uso de hipotensores parenterais até atingir valor de PAM de 130 mmHg
  4. D) Usar trombolítico desde que os níveis pressóricos estejam controlados e a área do infarto cerebral seja menor que 2/3 do território da artéria cerebral média através da ressonância magnética com técnicas de difusão e perfusão

Pérola Clínica

Crise hipertensiva + déficit focal + TC normal = reduzir PA (PAS < 185, PAD < 110) + antiagregação (se AVE isquêmico).

Resumo-Chave

Em um paciente com crise hipertensiva grave e déficit neurológico focal, mesmo com TC de crânio inicial sem evidência de hemorragia ou hipodensidade isquêmica evidente, a prioridade é o controle rigoroso da pressão arterial. A redução da PAS para valores < 185 mmHg e PAD < 110 mmHg é crucial para considerar terapias como a trombólise ou, na ausência desta, iniciar antiagregação plaquetária para um provável AVE isquêmico.

Contexto Educacional

O manejo do Acidente Vascular Encefálico (AVE) agudo é uma das situações mais desafiadoras e tempo-dependentes na medicina de emergência. A diferenciação rápida entre AVE isquêmico e hemorrágico é fundamental, sendo a tomografia computadorizada (TC) de crânio sem contraste o exame de imagem inicial de escolha. No entanto, é importante lembrar que a TC pode ser normal nas primeiras horas de um AVE isquêmico, o que não exclui o diagnóstico. Em pacientes com crise hipertensiva grave e sintomas neurológicos focais, a prioridade é o controle da pressão arterial. Para o AVE isquêmico, se o paciente for candidato à trombólise, a pressão arterial sistólica (PAS) deve ser mantida abaixo de 185 mmHg e a diastólica (PAD) abaixo de 110 mmHg. Se não for candidato à trombólise, a PAS pode ser tolerada até 220 mmHg e a PAD até 120 mmHg, para garantir a perfusão da área de penumbra isquêmica. A conduta inclui a administração de anti-hipertensivos parenterais de ação rápida e curta duração para um controle preciso. Após o controle pressórico e a exclusão de hemorragia, a antiagregação plaquetária (com aspirina) é geralmente iniciada para pacientes com AVE isquêmico que não receberão trombólise ou 24 horas após a trombólise, visando prevenir a progressão do trombo e novos eventos. O residente deve estar apto a tomar decisões rápidas e baseadas em evidências nesse cenário crítico.

Perguntas Frequentes

Qual a importância do controle da pressão arterial em um paciente com suspeita de AVE isquêmico?

O controle da pressão arterial é crucial para evitar a progressão da lesão isquêmica e para permitir a administração segura de terapias de reperfusão, como a trombólise, que exige níveis pressóricos específicos (<185/110 mmHg).

Por que a tomografia computadorizada pode ser normal nas primeiras horas de um AVE isquêmico?

A TC pode não mostrar alterações isquêmicas evidentes nas primeiras 3-6 horas após o início dos sintomas, pois as alterações de densidade no parênquima cerebral levam tempo para se desenvolver. Sua principal função inicial é excluir hemorragia.

Quando a antiagregação plaquetária é indicada no AVE isquêmico agudo?

A antiagregação plaquetária (geralmente com aspirina) é indicada para pacientes com AVE isquêmico que não são candidatos à trombólise ou após 24 horas da trombólise, para prevenir eventos isquêmicos recorrentes.

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