Crise Hipertensiva: Urgência vs. Emergência e Manejo

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2023

Enunciado

Paciente feminino de 54 anos, em investigação de síndrome colestática. No primeiro dia de internação, o plantonista é chamado para avaliar a paciente por hipertensão aferida em verificação de rotina – PA: 190 x 120mmHg. Assinale a conduta mais correta para este caso.

Alternativas

  1. A) Seguir a prescrição e administrar captopril 25mg VO agora.
  2. B) Por se tratar de urgência hipertensiva, é necessário administrar iECA ou Bloq canal de cálcio e monitorar a pressão com objetivo de controle em até 12 horas, ou há risco estatístico de evolução para complicações graves.
  3. C) Por se tratar de emergência hipertensiva, é necessário iniciar nitroprussiato venoso com meta de controle de 30% da PAM em 12h.
  4. D) Avaliar a paciente. Tratar dor e ansiedade. Caso assintomática, apenas ajustar anti-hipertensivos de horário.
  5. E) Solicitar ECG e ecocardiograma para definição de conduta.

Pérola Clínica

Hipertensão grave assintomática = Urgência Hipertensiva. Não requer redução imediata da PA. Tratar dor/ansiedade e ajustar medicação oral.

Resumo-Chave

Uma crise hipertensiva é classificada como urgência quando há elevação grave da PA (PA > 180/120 mmHg) sem lesão de órgão-alvo aguda, e como emergência quando há lesão de órgão-alvo. No caso de urgência, a redução da PA deve ser gradual (25% nas primeiras 24h) com medicação oral, e fatores como dor e ansiedade devem ser abordados.

Contexto Educacional

A crise hipertensiva é definida por uma elevação súbita e acentuada da pressão arterial, geralmente com valores de PA sistólica ≥ 180 mmHg e/ou PA diastólica ≥ 120 mmHg. É fundamental diferenciar entre urgência e emergência hipertensiva, pois a conduta e o prognóstico são distintos. A urgência hipertensiva ocorre quando não há evidência de lesão aguda de órgão-alvo, enquanto a emergência hipertensiva é caracterizada pela presença de lesão aguda e progressiva de órgãos-alvo, exigindo redução imediata da PA. No caso de urgência hipertensiva, como o da paciente assintomática, a redução da pressão arterial deve ser gradual, visando uma diminuição de 25% da PA média nas primeiras 24 horas, utilizando medicamentos anti-hipertensivos orais. Uma redução muito rápida pode levar à hipoperfusão cerebral, cardíaca ou renal, com risco de eventos isquêmicos. É crucial avaliar e tratar fatores que podem elevar a PA, como dor, ansiedade ou abstinência de substâncias. O tratamento da emergência hipertensiva, por outro lado, requer internação em unidade de terapia intensiva e uso de anti-hipertensivos intravenosos de ação rápida, com metas de redução da PA mais agressivas, mas ainda cautelosas para evitar isquemia. A escolha do medicamento e a meta de PA dependem do órgão-alvo acometido. A conduta correta na urgência hipertensiva evita iatrogenias e melhora o prognóstico do paciente.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre urgência e emergência hipertensiva?

Urgência hipertensiva é uma elevação grave da pressão arterial (PA > 180/120 mmHg) sem evidência de lesão aguda de órgão-alvo, enquanto emergência hipertensiva é a mesma elevação com lesão aguda de órgão-alvo.

Qual a conduta inicial para uma urgência hipertensiva?

A conduta inicial para urgência hipertensiva é reduzir a pressão arterial gradualmente em 24-48 horas com medicamentos orais, tratando fatores precipitantes como dor e ansiedade, sem a necessidade de internação em UTI ou medicação intravenosa.

Quais são os órgãos-alvo mais comumente afetados em uma emergência hipertensiva?

Os órgãos-alvo mais comumente afetados incluem cérebro (AVC, encefalopatia), coração (infarto agudo do miocárdio, insuficiência cardíaca aguda), rins (insuficiência renal aguda), retina (retinopatia hipertensiva) e grandes vasos (dissecção de aorta).

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