Crise Febril Simples: Diagnóstico e Manejo na Pediatria

MedEvo Simulado — Prova 2025

Enunciado

Uma menina de 1 ano e 8 meses é levada ao pronto-socorro após apresentar uma crise convulsiva tônico-clônica generalizada com duração de 3 minutos. A mãe refere que a criança estava febril (temperatura axilar de 39,2°C) há poucas horas, sem outros sintomas associados. Após a crise, a criança está responsiva e o exame neurológico e físico geral são normais. Qual é o diagnóstico mais provável?

Alternativas

  1. A) Meningite bacteriana.
  2. B) Encefalite viral.
  3. C) Crise febril simples.
  4. D) Epilepsia com crise febril plus (GEFS+).

Pérola Clínica

Criança (6m-5a) com febre + convulsão generalizada < 15 min + recuperação completa = Crise Febril Simples.

Resumo-Chave

A crise febril simples é o evento convulsivo mais comum na infância e tem caráter benigno. O diagnóstico é clínico, baseado em critérios de idade, tipo e duração da crise, e na ausência de infecção do SNC ou distúrbio metabólico. Investigação adicional geralmente não é necessária.

Contexto Educacional

A crise febril é o distúrbio convulsivo mais comum na infância, afetando de 2% a 5% das crianças entre 6 meses e 5 anos de idade. É definida como uma convulsão que ocorre em associação com uma doença febril (temperatura ≥ 38°C), na ausência de infecção do sistema nervoso central (SNC), distúrbio metabólico agudo ou história prévia de crises afebris. A grande maioria desses eventos é benigna e autolimitada. As crises febris são classificadas em simples ou complexas. A crise febril simples, como a do caso, é a forma mais comum (cerca de 80% dos casos) e se caracteriza por ser generalizada (geralmente tônico-clônica), durar menos de 15 minutos e não se repetir em um período de 24 horas. Após a crise, a criança apresenta um período pós-ictal breve e retorna ao seu estado neurológico basal. O diagnóstico é essencialmente clínico, e a principal tarefa do médico é excluir causas mais graves de convulsão com febre, como a meningite. O manejo na emergência foca no suporte vital (ABC) e na interrupção da crise, se prolongada (> 5 minutos), com benzodiazepínicos. Após a estabilização, a investigação deve se concentrar na causa da febre. Exames complementares como punção lombar, EEG ou neuroimagem não são rotineiramente indicados em uma primeira crise febril simples em uma criança com exame neurológico normal. A orientação aos pais sobre a natureza benigna do evento e o baixo risco de desenvolvimento de epilepsia (ligeiramente aumentado em relação à população geral) é uma parte fundamental do atendimento.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para definir uma crise febril como 'simples'?

Uma crise febril é considerada simples quando preenche todos os seguintes critérios: é tônico-clônica generalizada, tem duração inferior a 15 minutos, ocorre apenas uma vez no período de 24 horas de uma mesma doença febril, e a criança tem um exame neurológico normal após o evento.

Qual a conduta inicial na emergência para uma criança com crise febril?

A prioridade é garantir a via aérea, ventilação e circulação (ABC). A maioria das crises cessa espontaneamente. Se a crise persistir por mais de 5 minutos, administra-se um benzodiazepínico (ex: diazepam retal). O controle da febre com antitérmicos é para conforto, mas não previne a recorrência.

Como diferenciar uma crise febril simples de uma crise sintomática de meningite?

A principal diferença está no estado da criança antes e após a crise. Na crise febril simples, a criança retorna ao seu estado basal normal após um breve período pós-ictal. Na meningite, a criança geralmente apresenta sinais de toxemia, letargia persistente, irritabilidade ou sinais de irritação meníngea.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo