Crise Febril Simples em Lactentes: Conduta e Diagnóstico

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Enzo, um lactente de 18 meses de idade, é levado ao pronto-atendimento pelos pais em estado de grande agitação emocional. A mãe relata que, há cerca de 40 minutos, enquanto o filho apresentava febre de 39,1°C decorrente de um quadro de tosse e coriza iniciado no dia anterior, ele subitamente apresentou reviramento ocular, perda de consciência e abalos musculares generalizados em braços e pernas. O episódio durou aproximadamente 3 minutos e cessou espontaneamente. No momento do exame físico, Enzo encontra-se em bom estado geral, reativo, com orofaringe hiperemiada, sem sinais de irritação meníngea, fontanela fechada e sem déficits focais. Os pais estão extremamente ansiosos e questionam se o filho passará a ter epilepsia. Com base no quadro clínico apresentado, a conduta mais adequada é:

Alternativas

  1. A) Solicitar eletroencefalograma e tomografia de crânio com contraste para investigar possíveis focos epileptogênicos ou malformações estruturais.
  2. B) Realizar punção lombar para análise do líquido cefalorraquidiano, visando excluir meningite bacteriana como causa primária da crise convulsiva.
  3. C) Prescrever fenobarbital em dose de manutenção por seis meses para prevenir a recorrência de novas crises durante episódios febris futuros.
  4. D) Tranquilizar os pais sobre a natureza benigna do evento, orientar medidas de suporte para a febre e dar alta sem necessidade de exames complementares imediatos.

Pérola Clínica

Crise febril simples (6m-5a, <15min, generalizada) = Conduta expectante + Orientação.

Resumo-Chave

A crise febril simples é um evento benigno e autolimitado. Se o exame físico pós-ictal for normal e não houver sinais de alerta, exames de imagem ou líquor são desnecessários.

Contexto Educacional

A crise febril é a desordem convulsiva mais comum da infância, afetando 2-5% das crianças. A fisiopatologia envolve a vulnerabilidade do cérebro imaturo ao aumento rápido da temperatura corporal. O diagnóstico é eminentemente clínico. O papel do médico na emergência é descartar infecções do sistema nervoso central (meningite/encefalite) e tranquilizar a família. O uso de anticonvulsivantes profiláticos (como fenobarbital ou ácido valproico) não é recomendado devido aos efeitos colaterais que superam os benefícios, já que a crise febril simples não causa dano cerebral. O manejo foca no controle da febre para conforto da criança e educação dos cuidadores sobre como agir em episódios futuros.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para definir uma crise febril como simples?

Uma crise febril é classificada como simples quando preenche quatro critérios: 1) É generalizada (tônico-clônica); 2) Tem duração curta (menos de 15 minutos); 3) Não recorre em um período de 24 horas; 4) Ocorre em uma criança entre 6 meses e 5 anos de idade sem insulto neurológico prévio. Se qualquer um desses critérios for violado (ex: crise focal, >15 min ou recorrente no mesmo dia), ela é classificada como complexa.

Quando a punção lombar é obrigatória na crise febril?

A punção lombar deve ser realizada se houver sinais clínicos de irritação meníngea (rigidez de nuca, Brudzinski, Kerning) ou se a criança estiver em mau estado geral. Também é fortemente recomendada em lactentes entre 6 e 12 meses que não tenham vacinação completa para H. influenzae e S. pneumoniae, ou naqueles que já estão em uso de antibióticos (que podem mascarar sinais de meningite). Em crianças >18 meses com exame físico normal, a punção é raramente necessária.

Crise febril aumenta o risco de epilepsia futura?

O risco de desenvolver epilepsia após uma crise febril simples é apenas ligeiramente superior ao da população geral (cerca de 1-2% vs 0,5-1%). Fatores que aumentam esse risco incluem crises febris complexas, história familiar de epilepsia ou atraso no desenvolvimento neuropsicomotor prévio. Para a grande maioria das crianças com crises simples, o prognóstico neurológico é excelente e não há prejuízo cognitivo.

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