SMS Campo Grande - Secretaria Municipal de Saúde (MS) — Prova 2023
Lactente de 1 ano e 8 meses iniciou há 15 horas quadro febril (38,8ºC) e sinais clínicos de infecção de vias aéreas superiores. Não está fazendo uso de antibióticos. Há cerca de 30 minutos, apresentou crise convulsiva caracterizada por movimentos tônico-clônicos generalizados de duração aproximada de 4 minutos, sendo então trazido ao pronto atendimento. Pais referem ser o primeiro episódio na vida da criança. Sem internação prévia. No momento do atendimento, a criança encontra-se com temperatura de 37,9ºC (feito antitérmico em casa após a crise), ativa, reativa, sem sinais de irritação meníngea e restante do exame clínico e neurológico normal. Constatada apenas hiperemia de orofaringe e membrana timpânica, presença de coriza hialina. Considerando que se trata de Crise Febril simples, deve-se:
Crise febril simples (típica, <15min, 1x/24h, sem infecção SNC) → Antitérmicos e orientação, NÃO anticonvulsivante.
A crise febril simples é um evento benigno que ocorre em crianças de 6 meses a 5 anos, associado à febre, sem evidência de infecção do SNC. Caracteriza-se por ser tônico-clônica generalizada, com duração inferior a 15 minutos e ocorrendo apenas uma vez em 24 horas. No pronto atendimento, se a criança já está afebril e sem crise, a conduta é apenas prescrever antitérmicos e orientar os pais, sem necessidade de benzodiazepínicos ou anticonvulsivantes de manutenção.
A crise febril é a convulsão mais comum na infância, afetando cerca de 2-5% das crianças entre 6 meses e 5 anos. É definida como uma convulsão associada à febre (temperatura >38°C) na ausência de infecção do sistema nervoso central, distúrbio metabólico agudo ou histórico de convulsões afebris. A crise febril simples é a forma mais comum e benigna, caracterizada por ser generalizada, ter duração inferior a 15 minutos e ocorrer apenas uma vez em 24 horas. O diagnóstico de crise febril simples é clínico, baseado na história e exame físico. É crucial descartar outras causas de convulsão febril, como meningite ou encefalite, especialmente em crianças com sinais de irritação meníngea ou alteração do nível de consciência. No caso apresentado, a criança preenche todos os critérios para crise febril simples, e o exame neurológico é normal após a crise. O manejo da crise febril simples no pronto atendimento, uma vez que a crise já cessou e a criança está estável, consiste em controle da febre com antitérmicos e orientação aos pais. Não há indicação de uso de benzodiazepínicos de rotina após a crise resolvida, nem de anticonvulsivantes de manutenção, pois não previnem futuras crises febris e não alteram o risco de epilepsia. A educação dos pais sobre a benignidade do quadro e o manejo da febre é fundamental.
Os critérios incluem idade entre 6 meses e 5 anos, crise tônico-clônica generalizada, duração inferior a 15 minutos, ocorrência única em 24 horas e ausência de infecção do sistema nervoso central ou distúrbio metabólico.
A conduta inicial é avaliar o estado geral da criança, descartar infecção do SNC e, se confirmada crise febril simples, prescrever antitérmicos e orientar os pais sobre a benignidade do quadro e como agir em futuras crises. Não há indicação de anticonvulsivantes de manutenção.
Não, em casos de crise febril simples típica, com exame físico e neurológico normais, não são necessários exames complementares de rotina, como punção lombar ou eletroencefalograma. A investigação é direcionada se houver atipicidade ou sinais de alerta.
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