Crise Febril Simples: Manejo e Conduta Pediátrica

UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2022

Enunciado

Lactente de 1 ano e 6 meses iniciou há, aproximadamente, 18 horas quadro febril (38,5ºC) e sinais clínicos de infecção de vias aéreas superiores. Não está fazendo uso de antibióticos. Há cerca de 30 minutos, apresentou crise epiléptica caracterizada por movimentos tônicos clônicos generalizados de duração aproximada de 5 minutos, sendo então trazido ao pronto atendimento. Pais referem ser o primeiro episódio na vida da criança. No momento do atendimento, a criança encontra-se com temperatura de 37,9º C (feito dipirona em casa após a crise), ativa, reativa, sem sinais de irritação meníngea e restante do exame clínico e neurológico normal. Constatada apenas hiperemia de orofaringe e membrana timpânica associada à coriza hialina. Considerando que se trata de Crise Febril simples, deve-se

Alternativas

  1. A) fazer Diazepam endovenoso, no Pronto Atendimento, e prescrever anticonvulsivante e antitérmicos até consulta com especialista.
  2. B) prescrever anticonvulsivante e antitérmicos até consulta com especialista.
  3. C) fazer Diazepam endovenoso, no Pronto Atendimento, e prescrever apenas antitérmicos.
  4. D) prescrever apenas antitérmicos.

Pérola Clínica

Crise febril simples: autolimitada, sem anticonvulsivante profilático, apenas antitérmicos e investigação da causa da febre.

Resumo-Chave

Crises febris simples são benignas e não requerem tratamento anticonvulsivante profilático. O manejo foca no controle da febre e na identificação da causa subjacente da infecção, sem necessidade de Diazepam se a crise já cessou e o paciente está bem.

Contexto Educacional

A crise febril simples é o tipo mais comum de convulsão na infância, afetando cerca de 2% a 5% das crianças entre 6 meses e 5 anos de idade. É um evento benigno, autolimitado, que ocorre em associação com um quadro febril, geralmente por infecções virais das vias aéreas superiores. O conhecimento de seus critérios diagnósticos e manejo adequado é crucial para evitar intervenções desnecessárias e tranquilizar os pais. Fisiopatologicamente, a crise febril é desencadeada pela rápida elevação da temperatura corporal em um cérebro imaturo, com limiar convulsivo mais baixo. O diagnóstico é clínico, baseado na exclusão de outras causas de convulsão e na presença dos critérios de crise febril simples. É fundamental descartar infecções do sistema nervoso central, como meningite, especialmente no primeiro episódio. O tratamento da crise febril simples é de suporte, com foco no controle da febre através de antitérmicos e na investigação e tratamento da causa subjacente da febre. Não há indicação para uso crônico de anticonvulsivantes ou para administração de Diazepam se a crise já cessou. O prognóstico é excelente, sem sequelas neurológicas a longo prazo, embora haja um pequeno risco de recorrência.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para diagnosticar uma crise febril simples?

Uma crise febril simples é um episódio convulsivo generalizado, com duração inferior a 15 minutos, que ocorre uma única vez em 24 horas, em crianças de 6 meses a 5 anos, associado à febre sem infecção do SNC ou causa metabólica.

Qual a conduta inicial para uma criança que chega ao pronto atendimento após uma crise febril simples?

A conduta inicial foca em garantir a estabilidade do paciente, controlar a febre com antitérmicos e investigar a causa da febre. Não há indicação de anticonvulsivantes profiláticos ou Diazepam se a crise já cessou.

Como diferenciar uma crise febril simples de uma crise febril complexa?

A crise febril complexa difere da simples por ter duração >15 minutos, ser focal, ocorrer mais de uma vez em 24 horas ou em crianças fora da faixa etária típica (6 meses a 5 anos), ou se houver anormalidade neurológica prévia.

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