UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2020
Carlos Gregório, 3 anos e 6 meses, é uma criança saudável. Seu crescimento e desenvolvimento neuropsicomotor são adequados para a idade. Há duas semanas, começou a frequentar a creche do bairro e com este contato intenso com várias crianças, vem apresentando quadros sugestivos de viroses de vias aéreas superiores. Há 2 dias em vigência de febre (38,9°C), apresentou movimentos tônicos clônicos generalizados com duração de aproximadamente cinco minutos. Após a crise, foi levado a uma Policlínica e avaliado detalhadamente pelo pediatra. O médico não constatou alterações no exame físico (nem mesmo sinais de irritação meníngea). A criança recuperou-se espontaneamente sem necessidade de medicação. O episódio foi classificado como Crise Febril Simples. Qual a conduta adequada para essa situação?
Crise Febril Simples: <5 anos, tônico-clônica generalizada <15 min, única em 24h, sem alteração neurológica pós-crise → apenas antitérmicos.
A crise febril simples é um evento benigno, comum em crianças de 6 meses a 5 anos, associado à febre. Caracteriza-se por ser tônico-clônica generalizada, de curta duração (<15 minutos), única em 24 horas e sem alterações neurológicas focais ou pós-ictais prolongadas. A conduta adequada é a avaliação clínica detalhada e, se os critérios forem preenchidos, a liberação para casa com antitérmicos e orientação aos pais, sem necessidade de exames complementares invasivos ou medicação anticonvulsivante contínua.
A crise febril simples é um dos eventos neurológicos mais comuns na infância, afetando cerca de 2-5% das crianças. É definida como uma convulsão que ocorre em associação com febre, na ausência de infecção do sistema nervoso central (SNC), distúrbio metabólico agudo ou histórico de convulsões afebris. Geralmente ocorre entre os 6 meses e os 5 anos de idade, com pico de incidência por volta dos 18 meses. Embora assustadora para os pais, é um evento benigno com excelente prognóstico, sem sequelas neurológicas ou aumento significativo do risco de epilepsia. A fisiopatologia exata não é totalmente compreendida, mas acredita-se que a imaturidade do cérebro infantil, combinada com a rápida elevação da temperatura corporal, leve a uma despolarização neuronal generalizada. Clinicamente, a crise febril simples é caracterizada por ser tônico-clônica generalizada, de curta duração (tipicamente <5 minutos, mas sempre <15 minutos), ocorrendo apenas uma vez em um período de 24 horas, e sem anormalidades neurológicas focais ou pós-ictais prolongadas. O diagnóstico é clínico, baseado na história e no exame físico pós-crise. A conduta para uma crise febril simples é principalmente de suporte e orientação. Após a crise, a criança deve ser avaliada para garantir que não há sinais de infecção do SNC ou outras causas subjacentes. Se o exame neurológico for normal e os critérios de crise febril simples forem preenchidos, não são necessários exames complementares como punção lombar, eletroencefalograma ou tomografia de crânio. O tratamento consiste em antitérmicos para a febre e, mais importante, tranquilizar e orientar os pais sobre a natureza benigna do evento e como agir em caso de recorrência. A profilaxia anticonvulsivante contínua não é recomendada.
Uma Crise Febril Simples é definida por: idade entre 6 meses e 5 anos, convulsão tônico-clônica generalizada, duração inferior a 15 minutos, ocorrência de apenas um episódio em 24 horas e ausência de alterações neurológicas focais ou pós-ictais prolongadas. A febre é o fator desencadeante, sem evidência de infecção do sistema nervoso central.
A conduta inicial é a avaliação clínica detalhada para excluir outras causas de convulsão e infecção do SNC. Se os critérios de crise febril simples forem preenchidos e o exame neurológico estiver normal após a recuperação, a criança pode ser liberada para casa com antitérmicos orais e orientação aos pais sobre o manejo da febre e o que fazer em caso de nova crise.
Não, a punção lombar e a tomografia de crânio não são rotineiramente indicadas após uma Crise Febril Simples. A punção lombar pode ser considerada em crianças menores de 12 meses ou naquelas com sinais de irritação meníngea. A tomografia de crânio é reservada para casos com sinais neurológicos focais persistentes ou suspeita de lesão estrutural.
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