INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2015
Um lactente de 18 meses de vida é levado à unidade de Emergência Pediátrica com quadro clínico de convulsão tônico-clônica generalizada, iniciado há 5 minutos, e febre (38,2°C). Após medidas de suporte, administração de antitérmico e infusão de benzodiazepínico por via endovenosa, a convulsão cessa. A mãe conta que foi o primeiro episódio, e que a criança estava com coriza e obstrução nasal há dois dias. Exame físico: sem anormalidades. Após período pósictal ela desperta afebril e o exame neurológico não apresenta alterações. Diante do quadro clínico apresentado, além de manter acompanhamento ambulatorial, constitui conduta adequada:
Crise febril simples (<15 min, generalizada, 1x/24h) = Conduta expectante e orientação familiar.
A crise febril simples é uma condição benigna que não requer investigação exaustiva com imagem ou EEG, focando-se na orientação e controle da febre.
A crise febril é a desordem convulsiva mais comum da infância, afetando 2-5% das crianças. Embora assustadora para os pais, a crise febril simples tem excelente prognóstico e não está associada a déficit intelectual ou danos cerebrais. A fisiopatologia está ligada à vulnerabilidade do cérebro em desenvolvimento ao aumento rápido da temperatura corporal. O risco de recorrência de novas crises febris é de cerca de 30%, mas o risco de desenvolver epilepsia na vida adulta é apenas ligeiramente superior ao da população geral (cerca de 1-2%).
Uma crise febril é classificada como simples quando preenche três critérios principais: é generalizada (geralmente tônico-clônica), tem duração curta (menos de 15 minutos) e ocorre apenas uma vez em um período de 24 horas durante um episódio febril. Além disso, a criança deve ter entre 6 meses e 5 anos de idade, sem evidência de infecção intracraniana, distúrbio metabólico ou história prévia de crises afebris. O período pós-ictal costuma ser breve, com retorno rápido ao estado neurológico basal.
A punção lombar não é rotineira. Ela deve ser realizada se houver sinais meníngeos (rigidez de nuca, Brudzinski, Kerning), abaulamento de fontanela ou se a criança estiver muito prostrada. Deve-se considerar fortemente em lactentes entre 6 e 12 meses que não tenham esquema vacinal completo para Haemophilus influenzae tipo b ou Streptococcus pneumoniae, ou naqueles que já estavam em uso de antibióticos, o que pode mascarar sintomas de meningite bacteriana.
Não se recomenda o uso de anticonvulsivantes contínuos (como fenobarbital ou valproato) para prevenir a recorrência de crises febris simples, pois os efeitos colaterais cognitivos e comportamentais superam os benefícios de prevenir uma condição benigna. O uso de benzodiazepínicos intermitentes durante episódios febris também não é recomendado de rotina. A conduta baseia-se em tratar a causa da febre, usar antitérmicos para conforto e orientar os pais sobre o baixo risco de epilepsia futura.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo