Crise Febril: Fatores de Risco para Recorrência em Crianças

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022

Enunciado

Uma menina de quatro anos, previamente hígida, foi atendida em pronto atendimento com crise epiléptica do tipo tônico-clônico generalizada, com duração inferior a um minuto, em vigência de febre aferida em 39°C. Encontrava-se em tratamento de infecção de via aérea superior há 2 dias. Havia relato de crise febril no irmão mais velho. À família foi pontuada a principal hipótese diagnóstica e foram esclarecidos riscos para recorrência de evento similar.Qual dos fatores abaixo se apresenta como risco de recorrência nesse caso clínico?

Alternativas

  1. A) Pico de temperatura elevado.
  2. B) Intervalo curto entre doença febril e evento.
  3. C) Idade precoce para o primeiro evento.
  4. D) História familiar de crise febril.

Pérola Clínica

História familiar de crise febril → ↑ risco de recorrência em crianças.

Resumo-Chave

Fatores de risco para recorrência de crise febril incluem história familiar, idade <18 meses no primeiro evento, crise febril complexa e desenvolvimento neuropsicomotor anormal. O pico de temperatura elevado não é um fator de risco independente.

Contexto Educacional

A crise febril é o tipo mais comum de convulsão na infância, afetando cerca de 2-5% das crianças entre 6 meses e 5 anos de idade. É definida como uma convulsão que ocorre na presença de febre (temperatura >38°C) sem evidência de infecção intracraniana, distúrbio metabólico ou história prévia de convulsão afebril. Compreender seus fatores de risco e prognóstico é crucial para tranquilizar os pais e orientar o manejo adequado. A fisiopatologia exata da crise febril não é totalmente compreendida, mas acredita-se que envolva uma predisposição genética e a imaturidade do sistema nervoso central em resposta à elevação rápida da temperatura. O diagnóstico é clínico, baseado na história e exclusão de outras causas de convulsão. É importante diferenciar entre crise febril simples (generalizada, <15 min, única em 24h) e complexa (focal, >15 min, múltipla em 24h ou com déficits neurológicos pós-ictais). O tratamento agudo visa controlar a convulsão (se prolongada) e a febre. O prognóstico é geralmente excelente, com a maioria das crianças não desenvolvendo epilepsia. No entanto, a recorrência é comum, e os fatores de risco para recorrência incluem história familiar de crise febril, idade precoce no primeiro evento (<18 meses), crise febril complexa e anormalidades do desenvolvimento. O aconselhamento familiar sobre esses riscos é uma parte essencial da conduta médica.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para uma crise febril simples?

Uma crise febril simples é generalizada, dura menos de 15 minutos e ocorre apenas uma vez em 24 horas, em criança de 6 meses a 5 anos com febre sem infecção do SNC ou distúrbio metabólico.

Quais fatores aumentam o risco de recorrência de crises febris?

Os principais fatores de risco para recorrência incluem idade precoce (<18 meses) no primeiro evento, história familiar de crise febril, crise febril complexa e desenvolvimento neuropsicomotor anormal.

A crise febril aumenta o risco de epilepsia futura?

A crise febril simples não aumenta significativamente o risco de epilepsia. No entanto, crises febris complexas ou com múltiplos fatores de risco podem estar associadas a um risco ligeiramente maior.

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