MedEvo Simulado — Prova 2026
Valentina, uma lactente de 18 meses de vida, previamente hígida e com desenvolvimento neuropsicomotor adequado para a idade, é levada ao pronto-atendimento pelos pais devido a um episódio de crise convulsiva ocorrido há 30 minutos em domicílio. A mãe relata que a criança apresentava febre de 38,9°C e iniciou subitamente um quadro de abalos musculares generalizados, com reviramento ocular e perda de consciência, com duração estimada de 6 minutos. Houve resolução espontânea da crise, seguida de um período de sonolência de 10 minutos. Durante a triagem no hospital, a temperatura axilar era de 38,5°C e a frequência cardíaca de 115 bpm. Enquanto aguardava a consulta médica, cerca de 3 horas após o primeiro evento e ainda em vigência de febre, Valentina apresentou um novo episódio de crise tônico-clônica generalizada, desta vez com duração de 4 minutos. Ao exame físico realizado imediatamente após a segunda crise, a paciente encontra-se em bom estado geral, ativa, reativa, sem sinais de irritação meníngea (Brudzinski e Kerning negativos), com otoscopia revelando abaulamento e hiperemia importante de membrana timpânica bilateral, sem outras alterações. Diante do quadro clínico apresentado, a conduta mais adequada para este caso é:
Crise febril complexa (recorrência < 24h, focal ou > 15 min) → Observação hospitalar.
A recorrência de uma crise febril em menos de 24 horas a classifica como complexa, exigindo observação hospitalar para garantir a estabilidade clínica e excluir focos infecciosos graves.
As crises febris são as desordens convulsivas mais comuns na infância, ocorrendo geralmente entre os 6 meses e 5 anos de idade. A fisiopatologia envolve uma vulnerabilidade do cérebro imaturo ao aumento rápido da temperatura corporal. No caso apresentado, a recorrência da crise em 3 horas define o quadro como crise febril complexa. Embora a maioria seja benigna, a observação hospitalar por 12 a 24 horas é prudente para monitorar novas crises e garantir que o foco infeccioso (neste caso, uma otite média aguda) seja adequadamente tratado e que não surjam sinais de infecção do sistema nervoso central.
Uma crise febril é classificada como complexa se apresentar pelo menos uma das seguintes características: duração superior a 15 minutos, natureza focal (em vez de generalizada) ou recorrência dentro de um período de 24 horas.
A punção lombar deve ser considerada se houver sinais de irritação meníngea (rigidez de nuca, Kernig, Brudzinski), se a criança estiver em uso de antibióticos que mascarem sintomas, ou se houver um estado pós-ictal prolongado ou alteração persistente do nível de consciência.
O risco de epilepsia futura após uma crise febril simples é apenas ligeiramente superior ao da população geral (cerca de 1-2%). Em crises complexas, esse risco aumenta para cerca de 5-10%, mas a profilaxia com anticonvulsivantes não é recomendada rotineiramente.
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