Crises Familiares: Entendendo as Crises Paranormativas

SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2022

Enunciado

Mulher de 64 anos, aposentada, separada há 15 anos, mora com seu filho. Em abril de 2020, seu filho perdeu o emprego e sua filha foi internada com covid-19 e faleceu após dois meses. Ela procurou a UBS, pois estava sentindo dores no peito sempre que se aborrecia com o filho: “Ele é um menino muito bom, sente muito a falta da irmã e está com medo de sair de casa para arrumar emprego, mas as contas só aumentam”. Com base nesses dados, neste momento, a família está vivenciando uma crise do tipo:

Alternativas

  1. A) normativa
  2. B) ninho vazio
  3. C) paranormativa
  4. D) família reconstituída

Pérola Clínica

Crises paranormativas = eventos inesperados e estressores que afetam o ciclo de vida familiar.

Resumo-Chave

A família está vivenciando uma crise paranormativa, caracterizada por eventos inesperados e não previsíveis no ciclo de vida familiar, como a perda de emprego do filho e, principalmente, o falecimento da filha por COVID-19, gerando grande estresse e impacto na dinâmica familiar.

Contexto Educacional

As famílias, ao longo de seu ciclo de vida, enfrentam diversos desafios e transições que podem gerar crises. A compreensão desses tipos de crises é fundamental para profissionais de saúde, especialmente na Atenção Primária, para oferecer suporte adequado. As crises familiares podem ser classificadas em normativas e paranormativas. As crises normativas são eventos previsíveis e esperados, relacionados às etapas do desenvolvimento familiar, como o casamento, o nascimento de filhos, a adolescência dos filhos, a saída dos filhos de casa (ninho vazio) e a aposentadoria. Em contraste, as crises paranormativas são eventos inesperados, não previsíveis e muitas vezes traumáticos, que desorganizam profundamente a estrutura e o funcionamento familiar. Exemplos incluem morte súbita de um membro, doenças graves, acidentes, desemprego, violência doméstica ou desastres naturais. No caso apresentado, a perda do emprego do filho e, principalmente, o falecimento da filha por COVID-19 são eventos paranormativos que geram um estresse imenso e impactam a saúde física e mental da mãe, manifestando-se como dores no peito. A intervenção da equipe de saúde da família é crucial nesses momentos. É importante reconhecer o impacto desses eventos na dinâmica familiar, oferecer escuta ativa, apoio emocional, e auxiliar a família a desenvolver estratégias de enfrentamento. O encaminhamento para apoio psicossocial, grupos de luto ou terapia familiar pode ser necessário para ajudar a família a processar o luto e se reorganizar diante das perdas e desafios, promovendo resiliência e bem-estar.

Perguntas Frequentes

Quais são as características de uma crise familiar normativa?

Crises normativas são eventos esperados e previsíveis no ciclo de vida familiar, como o casamento, nascimento de filhos, entrada na escola, adolescência, saída dos filhos de casa (ninho vazio) e aposentadoria. Elas exigem adaptação e reestruturação familiar.

Como a morte de um membro afeta o ciclo de vida familiar?

A morte de um membro, especialmente um filho, é um evento paranormativo devastador que interrompe o ciclo de vida familiar, gerando luto complexo, desorganização e a necessidade de redefinição de papéis e identidades dentro da família.

Qual o papel da equipe de saúde da família no manejo de crises familiares?

A equipe de saúde da família deve identificar as crises, oferecer apoio emocional, facilitar a comunicação familiar, encaminhar para serviços especializados (psicologia, assistência social) quando necessário e monitorar a saúde física e mental dos membros afetados.

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