CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2024
Um paciente de 37 anos de idade engenheiro bemsucedido, casado, com epilepsia bem controlada por medicamentos, apresenta-se ao pronto-socorro após uma convulsão tônico-clônica generalizada que durou 5 minutos. Ele relata que esqueceu de tomar sua medicação antiepiléptica nos últimos dois dias. Qual é a conduta mais apropriada?
Crise epiléptica por não adesão à MAE → administrar dose de resgate do medicamento atual e reforçar adesão.
Em pacientes com epilepsia previamente controlada que apresentam uma crise tônico-clônica generalizada devido à não adesão à medicação antiepiléptica (MAE), a conduta mais adequada é administrar uma dose de resgate do medicamento atual para restabelecer os níveis terapêuticos e orientar sobre a importância da adesão.
A epilepsia é uma doença neurológica crônica caracterizada por crises epilépticas recorrentes e não provocadas. O tratamento medicamentoso, com o uso de medicamentos antiepilépticos (MAEs), é a base do controle da doença, visando prevenir crises e melhorar a qualidade de vida do paciente. A adesão rigorosa à medicação é fundamental para manter os níveis séricos terapêuticos e evitar a recorrência das crises. Quando um paciente com epilepsia previamente bem controlada apresenta uma crise, é crucial investigar a causa. A não adesão à medicação é uma das causas mais comuns e facilmente reversíveis de recorrência de crises. Neste cenário, onde o paciente relata ter esquecido as doses, a conduta mais apropriada no pronto-socorro é restabelecer os níveis terapêuticos do MAE. Isso geralmente envolve a administração de uma dose de resgate do medicamento atual, seguida de reforço da orientação sobre a importância da adesão. É importante diferenciar esta situação de outras emergências neurológicas. Uma convulsão que dura 5 minutos e cessa espontaneamente não configura status epilepticus, que exige intervenção imediata. Da mesma forma, exames de imagem de emergência, como a TC de crânio, são geralmente reservados para a primeira crise, crises com características atípicas, ou quando há suspeita de uma nova lesão estrutural ou complicação aguda. Residentes devem ser capazes de identificar a causa da crise e aplicar a conduta mais racional e menos invasiva.
Status epilepticus é definido como uma convulsão contínua por mais de 5 minutos ou duas ou mais convulsões sem recuperação completa da consciência entre elas. Neste caso, a convulsão durou 5 minutos e cessou, não preenchendo os critérios para status epilepticus.
Uma TC de crânio de emergência é indicada em casos de primeira crise epiléptica, alteração do estado mental prolongada, sinais neurológicos focais, trauma craniano recente, febre ou suspeita de lesão estrutural aguda. Não é necessária se a causa da crise for clara e o paciente tiver epilepsia prévia.
A não adesão à medicação antiepiléptica leva à queda dos níveis séricos do fármaco abaixo da faixa terapêutica. Isso reduz a proteção contra crises, aumentando a excitabilidade neuronal e o risco de recorrência, mesmo em pacientes previamente bem controlados.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo