Manejo de Crises Epilépticas e Febre em Escolares

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2026

Enunciado

Menino, 8 anos de idade, aguardava atendimento na sala de espera de UPA, por apresentar febre e dor de garganta há 2 dias, quando escorregou da cadeira, com movimentos tônico-clônicos, perda de consciência e desvio do olhar para a direita. Foi levado rapidamente para a sala de emergência, foi medicado com diazepínico por via nasal, recebeu oxigênio por cateter nasal, e, após punção de acesso venoso e 5 minutos de crise, foi medicado IV. Permaneceu sonolento, respondendo ao seu nome e movimentando membros espontaneamente. Ao exame, foi diagnosticado amigdalite purulenta e recebeu penicilina cristalina IV. A mãe refere que apresentou crises convulsivas aos 2, 4 e aos 7 anos de idade, em quadros febris, fez avaliação neurológica, e recebeu alta sem medicação. A medicação administrada intranasal, o diagnóstico e a conduta indicada, são respectivamente:

Alternativas

  1. A) Midazolam; crise epilética; alta com prescrição de ácido valproico até avaliação neurológica.
  2. B) Lorazepam; crise epilética; pedido de transferência para leito hospitalar.
  3. C) Lorazepam; crise epilética; avaliação laboratorial com dosagem de glicemia, sódio, potássio, cálcio e magnésio e análise do líquido cefalorraquidiano.
  4. D) Diazepam; convulsão febril; observação até recuperação de atividade habitual e aplicação de penicilina benzatina IM, antes da alta.
  5. E) Midazolam; convulsão febril; encaminhamento para consulta com neurologista via UBS.

Pérola Clínica

Crise convulsiva febril após os 6 anos → Investigar epilepsia e considerar tratamento medicamentoso.

Resumo-Chave

Em crianças acima de 6 anos, crises associadas à febre não são classificadas como convulsões febris benignas, sugerindo um limiar convulsivo baixo ou epilepsia (ex: GEFS+).

Contexto Educacional

O manejo da crise convulsiva na infância exige a distinção clara entre a convulsão febril benigna da infância e a epilepsia. A convulsão febril é um fenômeno idade-dependente, autolimitado e com excelente prognóstico. No entanto, quando as crises persistem além dos 6 anos de idade, o médico deve suspeitar de um transtorno epiléptico subjacente. O tratamento agudo foca na estabilização (ABCDE) e interrupção da crise com benzodiazepínicos. O midazolam intranasal (0,2 mg/kg) tornou-se uma alternativa padrão-ouro ao diazepam retal por sua eficácia comparável e maior aceitabilidade. Após a estabilização, a investigação diagnóstica deve incluir a análise da história clínica para determinar a necessidade de exames de imagem ou eletroencefalograma. Em pacientes com crises recorrentes e fora da faixa etária da convulsão febril, o início de anticonvulsivantes de amplo espectro, como o ácido valproico, é uma conduta comum para prevenir novos episódios e o risco de estado de mal epiléptico.

Perguntas Frequentes

Por que o diagnóstico não é convulsão febril simples?

A convulsão febril clássica ocorre tipicamente entre os 6 meses e 5-6 anos de idade. O paciente em questão tem 8 anos e apresenta crises recorrentes associadas à febre, o que ultrapassa a faixa etária habitual e sugere um diagnóstico de epilepsia desencadeada por febre (como a Epilepsia Genética com Crises Febris Plus - GEFS+).

Qual a vantagem do Midazolam intranasal no manejo agudo?

O midazolam intranasal é uma via de administração rápida e eficaz para o controle de crises convulsivas agudas, especialmente quando o acesso venoso ainda não foi estabelecido. Ele apresenta absorção sistêmica rápida pela mucosa nasal, sendo preferível ao diazepam retal em muitos protocolos de emergência pediátrica devido à facilidade social e técnica.

Quando indicar o Ácido Valproico nestes casos?

O ácido valproico é indicado como medicação de manutenção em casos de crises epilépticas recorrentes ou quando há suspeita de síndromes epilépticas genéticas. No caso de uma criança de 8 anos com múltiplas crises (aos 2, 4, 7 e 8 anos), a recorrência justifica o início da profilaxia medicamentosa até avaliação neurológica especializada.

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