Crise Focal e Paralisia de Todd: Conduta e Neuroimagem

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Um lactente de 20 meses de vida é levado ao pronto-atendimento pelos pais após apresentar um episódio súbito de desvio ocular para o lado direito, acompanhado de abalos clônicos rítmicos restritos ao braço e perna direitos. O evento durou cerca de 4 minutos e cessou espontaneamente antes da chegada à unidade de saúde. Ao exame físico na admissão, a criança encontra-se em período pós-ictal, sonolenta, porém responsiva ao chamado. A temperatura axilar é de 37,1°C, a frequência cardíaca é de 110 bpm e a saturação de oxigênio é de 98% em ar ambiente. Durante a avaliação neurológica inicial, nota-se uma discreta diminuição da força muscular e da movimentação espontânea no dimídio direito, que apresenta resolução completa após 40 minutos de observação. Não há relatos de febre nos dias anteriores, traumas cranianos ou atraso no desenvolvimento neuropsicomotor. Diante do quadro clínico descrito, a conduta mais adequada é:

Alternativas

  1. A) Prescrever Diazepam por via retal para uso domiciliar e agendar Eletroencefalograma ambulatorial.
  2. B) Solicitar exame de neuroimagem, preferencialmente Ressonância Magnética ou Tomografia Computadorizada de crânio.
  3. C) Manter em observação por 6 horas e dar alta com orientações, pois a crise foi breve e houve recuperação total do déficit.
  4. D) Realizar punção lombar imediata para análise do líquido cefalorraquidiano e pesquisa de agentes virais.

Pérola Clínica

Crise focal + déficit pós-ictal (Paralisia de Todd) → Investigação imediata com neuroimagem.

Resumo-Chave

Crises focais afebris em crianças, especialmente com déficit neurológico transitório (Paralisia de Todd), exigem neuroimagem para excluir lesões estruturais, mesmo com recuperação completa.

Contexto Educacional

O manejo de crises epilépticas na infância exige a distinção clara entre crises provocadas (como as febris) e crises não provocadas. Crises focais são sinais de alerta para patologias estruturais. A Paralisia de Todd, embora benigna em sua resolução, é um sinalizador clínico de foco epileptogênico localizado. A conduta em emergência foca na estabilização (ABCDE) e, uma vez estabilizada a criança, na busca etiológica. A ausência de febre e a focalidade tornam a punção lombar menos prioritária que a imagem, a menos que haja sinais de irritação meníngea ou sepse. A observação clínica é necessária, mas não substitui a investigação estrutural inicial.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza a Paralisia de Todd?

A Paralisia de Todd é um déficit neurológico focal transitório, geralmente hemiparesia, que ocorre no período pós-ictal imediato após uma crise epiléptica focal. A fisiopatologia exata é debatida, envolvendo exaustão neuronal ou inibição ativa de áreas corticais. Embora a recuperação ocorra em minutos a horas (geralmente até 24-48h), sua presença é um marcador de que a crise teve início focal, o que aumenta significativamente a probabilidade de uma lesão estrutural subjacente, exigindo investigação diagnóstica por imagem.

Por que a neuroimagem é obrigatória neste caso?

Diferente de uma crise febril simples ou uma crise generalizada idiopática, crises com início focal ou seguidas de déficit motor focal sugerem uma etiologia sintomática. A neuroimagem (TC ou preferencialmente RM) é essencial para descartar malformações do desenvolvimento cortical, tumores, hemorragias ou áreas de isquemia. Em pediatria, a RM é o padrão-ouro pela melhor resolução de partes moles e ausência de radiação, mas a TC pode ser usada em emergências para exclusão rápida de lesões expansivas ou sangramentos.

Qual a diferença entre crise febril e a crise descrita?

A crise febril ocorre na vigência de febre (geralmente >38°C) em crianças de 6 meses a 5 anos sem infecção do SNC. O caso descrito apresenta uma criança afebril (37,1°C) com crise focal e déficit pós-ictal. Crises febris simples são generalizadas e duram menos de 15 minutos. Crises focais, mesmo com febre, são classificadas como complexas e exigem maior rigor na investigação, mas a ausência de febre desloca o diagnóstico para crise epiléptica propriamente dita ou epilepsia.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo