SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2025
Lactente de 13 meses é admitido em urgência pediátrica com quadro de tosse, coriza e febre há 24 horas e com relato de crise convulsiva tônico-clônica generalizada, com duração aproximada de 11 minutos. A criança não apresentava sinais focais, nem sinais meníngeos ou outras alterações neurológicas; sua fontanela era normotensa e, após alguns minutos da admissão e cessação da febre, estava ativa e responsiva. Negava alergia medicamentosa. Havia relato de prematuridade de 36 semanas de idade gestacional. Cuidadores afirmavam passado de 1 episódio de crise convulsiva na ausência de febre e que foi avaliado clinicamente por médicos assistentes. Desde então, a criança vinha com bom crescimento e desenvolvimento.Qual sua principal hipótese para o quadro agudo atual da criança?
Crise convulsiva febril + história de crise afebril prévia → Suspeita de epilepsia, não apenas crise febril.
A presença de uma crise convulsiva afebril prévia é um forte indicativo de uma condição epiléptica subjacente. Nesse cenário, a febre atua como um gatilho para uma nova crise, que deve ser classificada como uma crise epiléptica e não como uma crise febril simples ou complexa.
A crise convulsiva na presença de febre é uma ocorrência comum na pediatria, sendo fundamental a diferenciação entre uma crise febril (simples ou complexa) e uma crise epiléptica desencadeada por um processo febril. A crise febril é um evento benigno que ocorre em crianças neurologicamente sadias entre 6 meses e 5 anos. Já a epilepsia é uma doença neurológica caracterizada pela predisposição a crises epilépticas não provocadas. O diagnóstico diferencial é crucial e baseia-se na anamnese detalhada. A presença de uma crise convulsiva prévia na ausência de febre, como no caso apresentado, é o principal fator que direciona o diagnóstico para epilepsia. A febre, nesse contexto, funciona como um fator precipitante para uma nova crise em um cérebro já predisposto. Outros fatores de risco para epilepsia incluem atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, alterações no exame neurológico e história familiar de epilepsia. O manejo agudo da crise é o mesmo em ambos os cenários, focando na estabilização do paciente e interrupção da crise, se prolongada. Contudo, o prognóstico e o seguimento são distintos. Enquanto a crise febril geralmente não requer tratamento de manutenção, a confirmação de epilepsia implica em investigação etiológica (EEG, neuroimagem) e, frequentemente, no início de terapia anticonvulsivante para prevenir recorrências e garantir o desenvolvimento adequado da criança.
A principal diferença é a predisposição do paciente. Uma crise febril complexa ocorre em uma criança neurologicamente normal, enquanto uma crise epiléptica pode ser desencadeada por febre em um paciente com diagnóstico prévio ou suspeita de epilepsia, como indicado por uma crise afebril anterior.
A prioridade é a estabilização do paciente (ABCDE), controle da via aérea, monitorização e, se a crise persistir por mais de 5 minutos, administração de benzodiazepínico (ex: Midazolam). A investigação da causa da febre e da crise é realizada após a estabilização.
A crise febril simples é tônico-clônica generalizada, dura menos de 15 minutos e não se repete em 24 horas. A complexa tem características focais, dura mais de 15 minutos ou ocorre mais de uma vez em 24 horas.
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