SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2021
Mulher, 20 anos de idade, estava acompanhada da mãe no metrô quando apresentou perda da consciência, seguida de rigidez muscular, abalos musculares difusos e perda esfincteriana. A equipe do metrô iniciou rapidamente os primeiros-socorros, colocando algo macio sob a cabeça da paciente até cessarem os abalos, que duraram cerca de um minuto. A mãe ficou bastante assustada e relatou que a paciente era portadora de diabetes mellitus tipo 1. Nega outras comorbidades. Nunca havia apresentado quadro semelhante. Neste momento, a paciente encontra-se ainda inconsciente, com ventilação espontânea.Indique a principal conduta que deve ser tomada nesse momento.
Pós-ictal imediato + ventilação espontânea → Posição lateral de segurança para prevenir aspiração.
Após a cessação dos abalos motores, a prioridade é a manutenção da via aérea e prevenção de aspiração de secreções ou vômito, colocando o paciente em decúbito lateral.
O manejo de crises convulsivas tônico-clônicas generalizadas foca na proteção do paciente contra traumas e na manutenção da patência das vias aéreas. Durante a fase ictal, o objetivo é evitar lesões (afastar objetos, proteger a cabeça). No período pós-ictal, a depressão do nível de consciência e a perda de reflexos protetores tornam a via aérea vulnerável. A lateralização do paciente é a manobra padrão-ouro de primeiros socorros. Em pacientes diabéticos, a hipoglicemia deve sempre ser considerada como gatilho, mas o suporte básico de vida e a segurança da via aérea precedem a correção metabólica oral, que é contraindicada em pacientes não alertas.
Imediatamente após a cessação dos abalos motores, se o paciente permanecer inconsciente mas com respiração espontânea (estado pós-ictal), a conduta prioritária é colocá-lo na posição lateral de segurança (posição de recuperação). Isso evita que a língua cause obstrução da via aérea superior e previne a aspiração de saliva, sangue ou conteúdo gástrico em caso de vômito. Deve-se também monitorar a respiração e aguardar o retorno gradual da consciência, evitando estímulos excessivos.
Embora a hipoglicemia seja uma causa importante de crises convulsivas em pacientes com DM1, nunca se deve oferecer líquidos ou alimentos por via oral a um paciente com nível de consciência rebaixado. O risco de broncoaspiração é extremamente alto. Se houver suspeita de hipoglicemia, o diagnóstico deve ser confirmado por glicemia capilar e o tratamento deve ser feito via parenteral (Glicose IV ou Glucagon IM) por profissionais de saúde.
Uma crise convulsiva deve ser tratada como emergência se durar mais de 5 minutos (estado de mal epiléptico iminente), se houver recorrência de crises sem recuperação da consciência entre elas, se o paciente apresentar dificuldade respiratória persistente, se houver trauma associado ou se for a primeira crise da vida do indivíduo. Nesses casos, o acionamento do serviço de emergência (SAMU) e o transporte para um ambiente hospitalar são obrigatórios.
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