Crise Convulsiva Infantil: Investigação de Causas Estruturais

UFGD/HU - Hospital Universitário de Dourados (MS) — Prova 2021

Enunciado

Criança, 2 anos, 15 kg, sexo masculino, trazida ao prontoatendimento em crise convulsiva com duração de 10 minutos, foi medicada com diazepam 2x com resolução da crise. Ao exame: REG, corado, hidratado, acianótico, anictérico. Temperatura: 36,9 0C. Glasgow 14, pupilas isocóricas e fotorreagentes, sem sinais de irritação meníngea, sem déficits motores. Oroscopia e otoscopia normais. AP: murmúrio vesicular presente, sem ruídos adventícios. ACV: RCR 2T sem sopro. Abdome: flácido, indolor, sem massas ou visceromegalias, RHA +. Pulsos +, perfusão 2 segundos. Exames laboratoriais: Hb 12 / Ht 37 / Leuco: 8500 sem desvio / Plaquetas: 200 mil. PCR 4 (valor de referência 5). Na= 140. K= 4,9. Ca= 10. Mg 2,0. Gasometria arterial: pH 7,401 / pCO₂= 41 / pO₂= 98 / Bic= 23 / BE= 0,2 / Sat= 99% / Lactato= 1,0.Com adição aos dados, observe o TC de crânio sem contraste.Qual o provável diagnóstico?

Alternativas

  1. A) Crise convulsiva febril.
  2. B) Hidrocefalia.
  3. C) Acidente vascular encefálico isquêmico.
  4. D) Meningite.
  5. E) Tumor.

Pérola Clínica

Crise convulsiva prolongada + afebrile + exames normais → investigar causa estrutural (TC/RM).

Resumo-Chave

Em crianças com crise convulsiva prolongada, afebrile e sem alterações metabólicas ou infecciosas evidentes, a investigação de causas estruturais cerebrais, como tumores, é mandatório através de neuroimagem (TC ou RM de crânio).

Contexto Educacional

Crises convulsivas em crianças são eventos neurológicos comuns que geram grande preocupação. Para residentes, é fundamental uma abordagem sistemática para identificar a etiologia, que pode variar desde condições benignas, como crises febris, até patologias graves, como tumores cerebrais. A epidemiologia varia com a idade e a presença de fatores de risco. A fisiopatologia da crise convulsiva envolve uma descarga elétrica anormal e excessiva de neurônios no cérebro. O diagnóstico diferencial é amplo e exige uma avaliação clínica detalhada, incluindo histórico da crise, exame físico completo e exames complementares. Em casos de crises prolongadas, afebrile e sem alterações metabólicas, a suspeita de uma causa estrutural, como um tumor, deve ser elevada, justificando a realização de neuroimagem. O tratamento inicial da crise convulsiva visa interromper o evento e garantir a segurança do paciente. Após a estabilização, a investigação da causa subjacente é prioritária. O prognóstico depende da etiologia, da duração das crises e da resposta ao tratamento, sendo que tumores cerebrais pediátricos exigem tratamento oncológico específico, que pode incluir cirurgia, quimioterapia e radioterapia, com acompanhamento neurológico a longo prazo.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais causas de crises convulsivas em crianças?

As causas de crises convulsivas em crianças são variadas, incluindo febre (crise febril), infecções do sistema nervoso central (meningite, encefalite), distúrbios metabólicos (hipoglicemia, hiponatremia), trauma craniano, intoxicações e causas estruturais cerebrais como tumores ou malformações.

Quando a neuroimagem é indicada em uma criança com crise convulsiva?

A neuroimagem (TC ou RM de crânio) é indicada em crianças com crises convulsivas focais, crises prolongadas, estado de mal epiléptico, déficits neurológicos pós-ictais, sinais de aumento da pressão intracraniana, ou quando há suspeita de causa estrutural ou infecciosa grave.

Como diferenciar uma crise convulsiva febril de outras etiologias?

A crise convulsiva febril ocorre em crianças de 6 meses a 5 anos, associada à febre (>38°C) e na ausência de infecção do SNC ou causa metabólica. A ausência de febre, a presença de déficits focais ou a idade fora dessa faixa etária sugerem outras etiologias e demandam investigação aprofundada.

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