PSU PRMMT - Processo Seletivo Unificado de Residência Médica do MT — Prova 2024
Recém-nascido do sexo masculino, nascido à termo, de parto vaginal a fórceps, por parada de progressão, foi intubado ainda na sala de parto por apneia e hipotonia. Após o nascimento, foi encaminhado à UTI Neonatal, onde foi assistido e após 72 h, foi extubado com sucesso. Permaneceu sem antibióticos, por infecção neonatal descartada. No quinto dia de vida, durante o atendimento de fisioterapia apresentou movimentos tônicoclônicos em dimidio direito, associados a movimentos mastigatórios, cianose e sialorreia. Foi assistido pela equipe de plantão, com oferta de oxigênio a 100%, monitorização e glicemia capilar de 73 mg/dL. A próxima conduta deve ser:
Crise convulsiva neonatal: após descartar hipoglicemia, Fenobarbital é 1ª linha.
O recém-nascido apresentou uma crise convulsiva no 5º dia de vida, com movimentos tônicoclônicos e mastigatórios, após um histórico de asfixia perinatal (intubação por apneia e hipotonia). A glicemia capilar normal descarta hipoglicemia como causa imediata. Nesses casos, o Fenobarbital é o anticonvulsivante de primeira escolha para o tratamento agudo das crises neonatais.
Crises convulsivas neonatais são eventos neurológicos comuns e potencialmente graves em recém-nascidos, com uma incidência maior do que em qualquer outra faixa etária. Elas representam uma emergência médica que exige reconhecimento rápido e tratamento adequado para minimizar o risco de lesão cerebral e sequelas neurológicas a longo prazo. A etiologia é variada, sendo a encefalopatia hipóxico-isquêmica uma das causas mais frequentes, especialmente em RN com histórico de asfixia perinatal. O diagnóstico de crise convulsiva neonatal pode ser desafiador, pois as manifestações clínicas podem ser sutis e atípicas, como movimentos mastigatórios, apneia, desvio ocular ou movimentos tônicos discretos. É crucial diferenciar de fenômenos não epilépticos, como tremores ou mioclonias benignas. Após a estabilização do paciente e a exclusão de causas metabólicas reversíveis (como hipoglicemia, que deve ser prontamente corrigida), a investigação etiológica deve prosseguir com exames de imagem cerebral e avaliação laboratorial. O tratamento agudo das crises convulsivas neonatais visa interromper a atividade epiléptica. O fenobarbital é o fármaco de primeira escolha, administrado em dose de ataque intravenosa. Se as crises persistirem, benzodiazepínicos (como midazolam ou lorazepam) podem ser utilizados como segunda linha. O manejo a longo prazo depende da etiologia subjacente e da recorrência das crises, com o objetivo de otimizar o desenvolvimento neurológico do lactente.
As principais causas incluem encefalopatia hipóxico-isquêmica (EHI), distúrbios metabólicos (hipoglicemia, hipocalcemia, hipomagnesemia), infecções do SNC (meningite, encefalite), malformações cerebrais e hemorragias intracranianas.
A conduta inicial envolve estabilização (oferta de oxigênio, monitorização), verificação da glicemia capilar para descartar hipoglicemia e, se a crise persistir após correção de distúrbios metabólicos, a administração de fenobarbital como anticonvulsivante de primeira linha.
O fenobarbital é o anticonvulsivante de primeira linha devido à sua eficácia comprovada no controle das crises neonatais, seu perfil de segurança relativamente favorável nessa população e sua longa experiência de uso em neonatologia. Ele atua potencializando a ação do GABA.
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