UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2022
Uma menina de 4 anos foi levada por sua mãe ao pronto atendimento, após apresentar uma crise tônico-clônica generalizada, com duração de aproximadamente 1 min, em vigência de febre de 38ºC. A mãe relata que a menor está apresentando febre há 2 dias, sem outras queixas associadas, previamente hígida. Nega histórico de convulsão, mas refere histórico de convulsão febril na família. Ao chegar no pronto atendimento, criança estava afebril, sem alterações ao exame físico, Glasgow 15, pupilas isocóricas e fotorreagentes, sem sinais focais. Qual conduta medicamentosa correta para o quadro convulsivo?
Crise convulsiva febril simples não requer anticonvulsivante profilático contínuo; o foco é no controle da febre e suporte.
A crise convulsiva febril simples, como a descrita (generalizada, <15 min, sem recorrência em 24h, sem infecção SNC), não indica uso de anticonvulsivantes de manutenção. O risco de epilepsia é baixo e os efeitos adversos dos medicamentos superam os benefícios. A conduta é tranquilizar os pais, orientar sobre controle da febre e sinais de alerta.
A crise convulsiva febril é um evento comum e geralmente benigno na infância. É crucial diferenciar a crise febril simples da complexa, pois a conduta e o prognóstico são distintos. Uma crise febril simples é caracterizada por ser generalizada, ter duração inferior a 15 minutos, não se repetir em 24 horas e não estar associada a déficits neurológicos pós-ictais. O histórico familiar de crises febris é um fator de risco para recorrência, mas não para o desenvolvimento de epilepsia. O manejo da crise febril aguda envolve garantir a segurança da criança, monitorar sinais vitais e, se a crise for prolongada (>5 minutos), administrar benzodiazepínicos (ex: diazepam retal ou midazolam intranasal/IV). Após a resolução da crise, a investigação da causa da febre é prioritária. Em crianças com crise febril simples, sem sinais de infecção do SNC, exames complementares extensos ou punção lombar não são rotineiramente indicados se a criança estiver bem após o evento. A principal conduta medicamentosa para o quadro convulsivo febril simples, uma vez resolvida a crise, é não prescrever anticonvulsivantes de manutenção. A profilaxia contínua com anticonvulsivantes não demonstrou benefício significativo na prevenção de crises futuras ou no desenvolvimento de epilepsia, e os riscos de efeitos adversos superam os benefícios. A orientação aos pais sobre o controle da febre e o que fazer em caso de nova crise é fundamental.
Uma crise febril é simples se for generalizada (tônico-clônica), durar menos de 15 minutos, não se repetir dentro de 24 horas e ocorrer em uma criança de 6 meses a 5 anos com febre, sem infecção do SNC ou histórico de convulsões afebris.
Anticonvulsivantes de manutenção não são recomendados para crises febris simples porque o risco de recorrência é baixo, o risco de desenvolver epilepsia é mínimo, e os efeitos adversos dos medicamentos superam os potenciais benefícios. O foco é na educação dos pais e controle da febre.
O risco de desenvolver epilepsia após uma crise convulsiva febril simples é ligeiramente maior que na população geral, mas ainda baixo (cerca de 1-2%). Fatores de risco para epilepsia incluem crises febris complexas, anormalidades neurológicas pré-existentes e histórico familiar de epilepsia.
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