Crise Convulsiva Febril Simples: Manejo e Prognóstico

UNIATENAS - Centro Universitário Atenas (MG) — Prova 2024

Enunciado

A mãe de uma lactente do sexo feminino de 18 meses de idade refere que, há 15 dias, sua filha apresentou um episódio de crise convulsiva tônico-clônica generalizada, com duração de 8 minutos; o quadro foi acompanhado de febre de 38,5°C. Procurou Pronto Atendimento na ocasião e, após 6 horas em observação, foi dada alta hospitalar com medicação apropriada para o tratamento de otite média aguda. A criança nunca havia apresentado episódio convulsivo até então e não voltou a apresentar novas crises. Nasceu a termo, sem intercorrências no período perinatal e a mãe nega doenças relevantes prévias. Na consulta atual, apresenta exame clínico normal. Qual a conduta neste momento?

Alternativas

  1. A) Realização de tomografia computadorizada do crânio.
  2. B) Prescrição de medicação antiepiléptica profilática.
  3. C) Solicitação de exame eletroencefalográfico.
  4. D) Solicitação de ressonância magnética de encéfalo.
  5. E) Observação clínica em consultas pediátricas de rotina.

Pérola Clínica

Crise febril simples: <15 min, generalizada, única em 24h, sem déficits → observação clínica, sem exames complementares.

Resumo-Chave

Crises convulsivas febris simples são benignas e não requerem investigação extensa ou profilaxia antiepiléptica. O diagnóstico é clínico, baseado na idade (6 meses a 5 anos), febre e características da crise. A conduta é tranquilizar os pais e orientar sobre o controle da febre.

Contexto Educacional

A crise convulsiva febril é o distúrbio convulsivo mais comum na infância, afetando cerca de 2% a 5% das crianças. É definida como uma crise que ocorre em crianças de 6 meses a 5 anos de idade, associada à febre (temperatura > 38°C), na ausência de infecção do sistema nervoso central, distúrbio metabólico agudo ou história de crise afebril prévia. Compreender a distinção entre crises febris simples e complexas é crucial para o manejo adequado e para tranquilizar os pais. A fisiopatologia envolve a imaturidade do sistema nervoso central em resposta à elevação rápida da temperatura, e não necessariamente ao pico da febre. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na história e exame físico, com exclusão de outras causas. Não há indicação de exames complementares de rotina, como eletroencefalograma ou neuroimagem, para crises febris simples, pois não alteram o prognóstico ou a conduta. O tratamento da crise aguda envolve medidas de suporte e, se prolongada, benzodiazepínicos. O prognóstico é excelente para crises febris simples, com baixo risco de desenvolvimento de epilepsia (cerca de 1%). A recorrência é mais comum em crianças mais jovens, com história familiar de convulsão febril ou com febre de baixo grau na primeira crise. A orientação aos pais sobre o controle da febre e o que fazer em caso de nova crise é fundamental.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para uma crise convulsiva febril ser considerada simples?

Uma crise convulsiva febril é simples se for generalizada, durar menos de 15 minutos, ocorrer apenas uma vez em um período de 24 horas e não deixar déficits neurológicos pós-ictais. A idade típica é entre 6 meses e 5 anos.

Qual a conduta inicial após uma primeira crise convulsiva febril simples?

A conduta inicial é a observação clínica e o tratamento da causa da febre. Não são indicados exames complementares de rotina (como EEG ou neuroimagem) nem medicação antiepiléptica profilática, devido ao bom prognóstico e à natureza benigna da condição.

Quando devo considerar uma investigação mais aprofundada após uma crise febril?

Investigações adicionais são consideradas em casos de crises febris complexas (focais, >15 min, múltiplas em 24h, com déficits), idade atípica (<6 meses ou >5 anos), ou sinais de infecção do sistema nervoso central. Nesses casos, pode-se considerar EEG ou neuroimagem.

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