Crise Convulsiva Febril: Diagnóstico e Manejo Pediátrico

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2021

Enunciado

Você está de plantão no Pronto Socorro Municipal e atende um lactente de 9 meses de idade que apresentou crise convulsiva generalizada, tônico-clônica, há 10 minutos. Segundo a mãe, o paciente apresenta tosse seca, coriza hialina e febre moderada há 2 dias. A crise convulsiva cessou espontaneamente, após 5 minutos. Ao exame, lactente dormindo, porém reativo ao manuseio, febril, hidratado, corado, otoscopia com hiperemia leve, ausculta pulmonar e cardíaca sem alterações, fontanelas planas e normotensas. Levando em consideração a principal hipótese diagnóstica para esse caso, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Trata-se de evento benigno, cujo principal fator predisponente é a herança familiar.
  2. B) Deve-se iniciar medicação anticonvulsivante de uso contínuo por se tratar de condição crônica e recidivante.
  3. C) O início precoce de antibioticoterapia muda o curso da doença, diminuindo a morbimortalidade.
  4. D) O tratamento das crises, nesse caso, é feito apenas com observação e suporte clínico.
  5. E) O prognóstico é reservado, com chance de evoluir para epilepsia na maioria dos casos.

Pérola Clínica

Crise convulsiva febril simples: evento benigno, autolimitado, principal fator predisponente é herança familiar.

Resumo-Chave

A crise convulsiva febril simples é um evento neurológico benigno e autolimitado, comum em crianças pequenas (3 meses a 5 anos) associado à febre, sem infecção do SNC. O principal fator de risco é a predisposição genética. Não requer tratamento anticonvulsivante contínuo e tem excelente prognóstico, com baixo risco de epilepsia.

Contexto Educacional

A crise convulsiva febril é o distúrbio convulsivo mais comum na infância, afetando cerca de 2% a 5% das crianças. É definida como uma convulsão associada à febre (temperatura > 38°C) em crianças de 3 meses a 5 anos de idade, na ausência de infecção do sistema nervoso central, distúrbio metabólico agudo ou história prévia de convulsões afebris. Sua importância reside na necessidade de diferenciar de outras causas mais graves de convulsão e tranquilizar os pais. A fisiopatologia exata não é totalmente compreendida, mas acredita-se que envolva uma predisposição genética e a imaturidade do cérebro infantil, que é mais suscetível a descargas elétricas anormais em resposta a aumentos rápidos da temperatura corporal. O diagnóstico é clínico, baseado na história e exame físico, excluindo outras causas. É crucial diferenciar entre crise febril simples (generalizada, <15 min, única em 24h) e complexa (focal, >15 min, múltiplas em 24h ou com sequelas). O tratamento agudo foca em abortar a crise (se prolongada, com benzodiazepínicos) e controlar a febre. O prognóstico da crise febril simples é benigno, com baixo risco de desenvolvimento de epilepsia (cerca de 1%). A recorrência ocorre em aproximadamente 30-40% dos casos. A educação dos pais sobre a natureza benigna da condição e o manejo da febre é fundamental.

Perguntas Frequentes

Quais são as características de uma crise convulsiva febril simples?

Uma crise convulsiva febril simples é generalizada, tônico-clônica, dura menos de 15 minutos, ocorre apenas uma vez em 24 horas e não deixa sequelas neurológicas. Ela está associada a febre, geralmente acima de 38°C, em crianças entre 3 meses e 5 anos de idade, sem infecção do sistema nervoso central.

Qual o tratamento para uma crise convulsiva febril simples?

O tratamento para uma crise convulsiva febril simples é principalmente de suporte, com controle da febre (antipiréticos) e observação. Não há indicação para iniciar medicação anticonvulsivante de uso contínuo, pois é um evento benigno e autolimitado. Em crises prolongadas, pode-se usar benzodiazepínicos para abortar a crise.

Qual o prognóstico de uma criança que teve uma crise convulsiva febril?

O prognóstico de uma criança que teve uma crise convulsiva febril simples é excelente. A maioria das crianças não desenvolve epilepsia, e o risco de recorrência é baixo. Fatores como história familiar de convulsão febril ou epilepsia, primeira crise antes dos 12 meses e febre baixa no início da crise podem aumentar o risco de recorrência.

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