Crise Convulsiva Febril Simples: Diagnóstico e Manejo

AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2022

Enunciado

Quanto à crise convulsiva febril simples, é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) É definida por crise epiléptica que acomete criança entre 3 meses e 5 anos de idade, na vigência de febre, com acometimento das leptomeninges cranianas.
  2. B) Seu diagnóstico é confirmado pelo eletroencefalograma e o hemograma.
  3. C) O tratamento profilático diminui muito o risco de epilepsia futura.
  4. D) Seu diagnóstico é predominantemente clínico.

Pérola Clínica

Crise convulsiva febril simples: diagnóstico predominantemente clínico, sem exames complementares de rotina.

Resumo-Chave

O diagnóstico da crise convulsiva febril simples é essencialmente clínico, baseado nos critérios de idade (3 meses a 5 anos), ocorrência com febre e ausência de infecção do SNC ou distúrbio metabólico. Exames como EEG e hemograma não são necessários para o diagnóstico de rotina e não alteram o manejo.

Contexto Educacional

A crise convulsiva febril simples é o tipo mais comum de convulsão na infância, afetando cerca de 2% a 5% das crianças. Caracteriza-se por uma crise epiléptica generalizada, de curta duração (<15 minutos), que ocorre uma única vez em 24 horas, em crianças de 3 meses a 5 anos de idade, na vigência de febre, sem evidência de infecção do sistema nervoso central ou distúrbio metabólico agudo. É um quadro benigno, com excelente prognóstico e baixo risco de desenvolvimento de epilepsia. O diagnóstico da crise convulsiva febril simples é predominantemente clínico, baseado na história e exame físico. Não há necessidade de exames complementares como eletroencefalograma (EEG), neuroimagem ou exames laboratoriais de rotina, a menos que haja suspeita de infecção do sistema nervoso central (meningite, encefalite) ou outras condições graves. A punção lombar deve ser considerada em crianças menores de 12 meses com crise febril, ou naquelas entre 12 e 18 meses sem vacinação completa para Haemophilus influenzae tipo b e Streptococcus pneumoniae, ou se houver sinais de irritação meníngea. O tratamento da crise aguda visa interromper a convulsão, geralmente com benzodiazepínicos (diazepam retal ou midazolam intranasal/oral). Não há indicação de tratamento profilático contínuo com anticonvulsivantes para prevenir recorrências ou o desenvolvimento de epilepsia, pois os riscos superam os benefícios. O prognóstico é excelente, com a maioria das crianças se desenvolvendo normalmente. O risco de epilepsia futura é ligeiramente maior que na população geral, mas ainda baixo, e não é influenciado pela profilaxia.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para o diagnóstico de crise convulsiva febril simples?

A crise convulsiva febril simples é definida por uma crise epiléptica generalizada, com duração inferior a 15 minutos, que ocorre uma única vez em 24 horas, em crianças de 3 meses a 5 anos, na vigência de febre, sem infecção do SNC ou distúrbio metabólico.

Por que o eletroencefalograma não é recomendado de rotina na crise convulsiva febril simples?

O eletroencefalograma (EEG) não é recomendado de rotina porque não auxilia no diagnóstico da crise febril simples, não prevê o risco de recorrência e não prediz o desenvolvimento de epilepsia futura. Sua alteração pode ser inespecífica e levar a ansiedade desnecessária.

O tratamento profilático da crise convulsiva febril simples diminui o risco de epilepsia?

Não, o tratamento profilático contínuo com anticonvulsivantes não diminui o risco de epilepsia futura e não é recomendado devido aos potenciais efeitos adversos e à benignidade do quadro. A profilaxia intermitente com diazepam oral pode ser considerada em casos selecionados de alta frequência de recorrência.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo