UNIATENAS - Centro Universitário Atenas (MG) — Prova 2020
I.B.G, 1 ano e 3 meses, previamente hígida, é levada ao pronto atendimento pela mãe, com história de ter apresentado crise convulsiva tônico-clônico generalizada, com duração de 3 minutos, ficando sonolenta logo após a crise, que cessou espontaneamente a caminho do hospital. Mãe conta que criança apresentava tosse e coriza há 1 dia, sem desconforto respiratório, em bom estado geral. Ao exame físico admissional: REG, corada, hidratada, acianótica, anictérica, febril (temp:38,9ºC), sem edemas. Ausência de irritabilidade, ou rigidez de nuca. Sonolenta ao exame, porém acordava à manipulação. Otoscopia: membrana timpânica translúcida bilateralmente. Oroscopia: leve hiperemia, sem exsudato ou petéquias em pálato. Sem lesões de pele. ACV: Bulhas Rítmicas e normofonéticas em 2 tempos, sem sopros, FC: 130bpm. AR: Murmúrios Vesiculares presentes bilateralmente, sem ruídos adventícios, eupneica, sat:98% em AA, FR :30irpm. Ausência de esforço respiratório. Abdômen: inocente. MM: Sem alterações; Na investigação diagnóstica da crise convulsiva, quais exames seriam necessários para este caso?
Crise convulsiva febril simples: <5 anos, tônico-clônica generalizada <15 min, única em 24h, sem foco neurológico → Nenhum exame complementar necessário.
Em casos de crise convulsiva febril simples, onde a criança retorna ao estado basal e não há sinais de infecção do SNC ou outras anormalidades neurológicas, a investigação complementar rotineira (como EEG, TC de crânio ou punção lombar) não é indicada. O diagnóstico é clínico e o foco é na exclusão de causas mais graves.
A crise convulsiva febril é o distúrbio convulsivo mais comum na infância, afetando cerca de 2% a 5% das crianças entre 6 meses e 5 anos de idade. É definida como uma convulsão associada à febre, sem evidência de infecção intracraniana, distúrbio metabólico ou história de convulsões afebris prévias. Compreender seus critérios diagnósticos e manejo é fundamental para evitar investigações desnecessárias e tranquilizar os pais. A fisiopatologia envolve a imaturidade do sistema nervoso central em resposta à elevação rápida da temperatura corporal. O diagnóstico é clínico, baseado na história e exame físico. É crucial diferenciar a crise febril simples da complexa e de outras causas mais graves de convulsão, como meningite ou encefalite. Sinais de alerta incluem idade fora da faixa típica, convulsão focal, duração prolongada, recorrência em 24 horas ou alteração do estado de consciência persistente. O tratamento da crise febril simples é principalmente de suporte, com controle da febre e observação. Não há indicação para uso de anticonvulsivantes profiláticos contínuos. O prognóstico é geralmente excelente, sem sequelas neurológicas a longo prazo e baixo risco de epilepsia. A educação dos pais sobre a natureza benigna da condição e o que fazer em caso de recorrência é um pilar importante do manejo.
Uma crise convulsiva febril simples é generalizada, tônico-clônica, dura menos de 15 minutos, ocorre uma única vez em 24 horas e não apresenta sinais de infecção do sistema nervoso central ou anormalidades neurológicas focais, em crianças de 6 meses a 5 anos com febre.
Exames complementares são indicados se houver suspeita de infecção do sistema nervoso central (meningite, encefalite), crise febril complexa (duração >15 min, focal, recorrente em 24h), ou se a criança não retornar ao seu estado basal, apresentando sinais neurológicos anormais.
A conduta inicial envolve garantir a segurança da criança durante a crise, avaliar a via aérea e respiração, e após a crise, realizar um exame físico completo para identificar a fonte da febre e descartar sinais de alarme para infecção do SNC. O tratamento é sintomático para a febre e observação.
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