Crise Convulsiva Febril Simples: Conduta e Orientação

Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022

Enunciado

Menina, 9 meses de idade, apresenta febre, coriza e tosse há 12 horas. Apresentou febre medida em 38,5 ºC e, antes de ser medicada, perdeu a consciência e apresentou movimentos tônico-clônicos generalizados, por aproximadamente 5 minutos. Chegou ao Pronto Atendimento consciente, com exame neurológico normal e cavo hiperemiado; o restante do exame físico sem alterações. A conduta indicada ao quadro clínico apresentado é:

Alternativas

  1. A) antitérmico, orientação e observação domiciliar.
  2. B) antitérmico, internação para observação clínica e realização de eletroencefalograma.
  3. C) diazepam IV, orientação e observação no equipamento de saúde por 24 horas
  4. D) ceftriaxona IM, coleta de hemocultura, retorno para reavaliação em 24 horas e encaminhamento para consulta ambulatorial com neurologista.
  5. E) internação hospitalar, coleta de líquor e hemocultura e administração de ceftriaxona IV.

Pérola Clínica

Crise Convulsiva Febril Simples: <15min, generalizada, 6m-5a, sem infecção SNC, neurológico normal → Antitérmico + orientação + observação domiciliar.

Resumo-Chave

Uma crise convulsiva febril simples é um evento benigno que ocorre em crianças de 6 meses a 5 anos, associado à febre, sem evidência de infecção do SNC ou outras causas. A conduta inicial envolve o controle da febre e a tranquilização dos pais, com orientação sobre a benignidade do quadro e observação domiciliar, sem necessidade de investigação invasiva ou internação.

Contexto Educacional

A crise convulsiva febril (CCF) é o tipo mais comum de convulsão na infância, afetando cerca de 2% a 5% das crianças entre 6 meses e 5 anos de idade. É definida como uma convulsão que ocorre na presença de febre (temperatura > 38°C), não causada por infecção do sistema nervoso central (SNC), distúrbio metabólico ou história de convulsões afebris prévias. A CCF simples, como a descrita na questão, é a forma mais comum e benigna, caracterizada por ser generalizada, durar menos de 15 minutos e não se repetir em 24 horas. A fisiopatologia exata da CCF não é totalmente compreendida, mas acredita-se que envolva uma predisposição genética e a imaturidade do cérebro infantil, que é mais suscetível a descargas elétricas anormais em resposta à elevação rápida da temperatura. O diagnóstico é clínico, baseado na história e no exame físico. É crucial diferenciar a CCF simples de outras condições mais graves, como meningite ou encefalite, que exigiriam investigação e tratamento urgentes. Sinais de alerta para uma crise mais complexa ou outra etiologia incluem duração prolongada, focalidade, recorrência em 24 horas ou alteração neurológica persistente. A conduta para uma CCF simples que já cessou e o paciente está consciente e com exame neurológico normal é de suporte. Isso inclui o controle da febre com antitérmicos e, fundamentalmente, a orientação detalhada aos pais sobre a benignidade do quadro, o que fazer em caso de nova crise e os sinais de alerta para procurar atendimento médico. Não há indicação de profilaxia anticonvulsivante contínua ou de exames complementares invasivos (como punção lombar, EEG ou neuroimagem) de rotina na CCFS, a menos que haja sinais de alerta que sugiram uma condição subjacente mais grave.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para diagnosticar uma Crise Convulsiva Febril Simples (CCFS)?

Os critérios incluem idade entre 6 meses e 5 anos, crise tônico-clônica generalizada com duração inferior a 15 minutos, ausência de recorrência em 24 horas, ausência de infecção do sistema nervoso central e desenvolvimento neurológico prévio normal.

Qual a conduta inicial para uma criança que apresentou uma CCFS e chegou consciente ao pronto atendimento?

A conduta inicial é administrar antitérmicos para controlar a febre, realizar um exame físico completo para identificar a causa da febre e, se os critérios de CCFS simples forem preenchidos e o exame neurológico for normal, orientar os pais e liberar para observação domiciliar.

Quando é necessário realizar exames complementares como líquor ou EEG após uma crise febril?

Exames como líquor são indicados se houver suspeita de meningite (sinais meníngeos, letargia persistente, fontanela abaulada). O EEG e neuroimagem não são rotineiramente recomendados para CCFS simples, sendo reservados para crises atípicas, focais, prolongadas ou em crianças com desenvolvimento neurológico alterado.

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