Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2022
Um paciente com nove meses de vida, previamente hígido, com história de tosse, coriza hialina e diminuição da ingesta alimentar há três dias, foi levado ao serviço de emergência com episódio de crise convulsiva tônico-clônica generalizada há quinze minutos, com duração de cinco minutos e resolução espontânea. Ao exame: paciente sonolento, mas respondendo a estímulo verbal; febril (38 ⁰C); e com FC de 110 bpm, FR de 36 ipm e saturação de 96% em ar ambiente, sem outras alterações. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta, correta e respectivamente, o diagnóstico mais provável e a conduta a ser adotada.
Lactente <12-18m com 1ª crise convulsiva febril simples → investigar infecção SNC (meningite) com punção lombar.
Em lactentes jovens, especialmente na primeira crise convulsiva febril, a punção lombar é recomendada para excluir meningite, pois os sinais meníngeos podem ser sutis ou ausentes nessa faixa etária. A resolução espontânea e o tipo de crise (tônico-clônica generalizada, <15min) sugerem crise febril simples, mas a idade é um fator de risco para meningite oculta.
A crise convulsiva febril é a convulsão mais comum na infância, afetando cerca de 2-5% das crianças entre 6 meses e 5 anos de idade. É definida como uma crise associada à febre (temperatura ≥ 38°C) na ausência de infecção do sistema nervoso central (SNC), distúrbio metabólico ou histórico de convulsões afebris. Embora geralmente benigna, é crucial diferenciá-la de condições mais graves como meningite ou encefalite, especialmente em lactentes jovens. O diagnóstico é clínico, baseado na história e exame físico. A fisiopatologia envolve a imaturidade do cérebro infantil e a resposta inflamatória à febre. A principal preocupação é a exclusão de meningite bacteriana, que pode ter apresentação atípica em lactentes, sem sinais meníngeos clássicos. Por isso, a punção lombar é um procedimento diagnóstico fundamental em crianças menores de 12-18 meses na primeira crise febril, ou em qualquer idade se houver sinais de alerta. O tratamento agudo da crise febril é geralmente de suporte, com controle da febre. Anticonvulsivantes profiláticos não são rotineiramente indicados para crises febris simples devido aos efeitos adversos e ao baixo risco de recorrência ou desenvolvimento de epilepsia. O prognóstico é excelente para a maioria das crianças, com baixo risco de sequelas neurológicas a longo prazo.
Uma crise convulsiva febril simples é generalizada (tônico-clônica), dura menos de 15 minutos e não se repete dentro de 24 horas. Ocorre em crianças de 6 meses a 5 anos com febre, sem infecção do SNC ou histórico de convulsões afebris.
A punção lombar é fortemente recomendada em lactentes <12 meses, e considerada em crianças de 12-18 meses, especialmente se houver sinais de meningite, uso prévio de antibióticos ou vacinação incompleta. Em crianças >18 meses, é geralmente desnecessária se não houver sinais meníngeos.
A diferenciação é clínica e laboratorial. Meningite e encefalite geralmente apresentam sinais de irritação meníngea, alteração do nível de consciência persistente, déficits neurológicos focais ou crises atípicas/prolongadas, além de alterações no líquor. A crise febril simples não tem esses achados após a resolução.
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