Crise Convulsiva Febril Simples: Diagnóstico e Manejo

HR Presidente Prudente - Hospital Regional de Presidente Prudente (SP) — Prova 2025

Enunciado

Lactente de 10 meses de idade, previamente hígido, com história de coriza hialina e obstrução nasal leve há um dia, chegou ao pronto atendimento trazido pelos pais, por ter apresentado perda da consciência, cianose e abalos tônico-clônicos, com duração de 6 minutos. Logo após, iniciou choro forte e desaparecimento da cianose. Nega episódios anteriores semelhantes. À avaliação inicial, o lactente apresenta-se choroso, consciente, responsivo, fontanela normotensa, mucosas coradas e hidratadas, acianóticas e anictéricas. Temperatura corporal de 38,8 ºC, FC: 110 bpm, PA: 80 x 45 mmHg, FR: 30 ipm, saturação de oxigênio ao oxímetro: 96% em ar ambiente. Pupilas isocóricas e fotorreagentes. Rigidez de nuca ausente. Ausculta cardíaca e pulmonar normais. Abdome flácido, sem visceromegalias e indolor. Perfusão periférica 2 seg. Sem lesões de pele. Sem alterações motoras. Qual é o diagnóstico desse caso?

Alternativas

  1. A) Crise convulsiva febril simples.
  2. B) Crise convulsiva febril complexa.
  3. C) Crise perda de fôlego.
  4. D) Estado de mal epiléptico febril.
  5. E) Epilepsia.

Pérola Clínica

Crise convulsiva febril simples: <15 min, generalizada, 1x em 24h, sem déficit pós-ictal, em criança 6m-5a.

Resumo-Chave

A crise convulsiva febril simples é um evento benigno, caracterizado por convulsão generalizada com duração inferior a 15 minutos, sem recorrência em 24 horas e sem déficit neurológico pós-ictal. O diagnóstico é clínico e exclui outras causas de convulsão.

Contexto Educacional

A crise convulsiva febril é o distúrbio convulsivo mais comum na infância, afetando cerca de 2% a 5% das crianças entre 6 meses e 5 anos de idade. É definida como uma convulsão associada à febre (temperatura >38°C) na ausência de infecção do sistema nervoso central (SNC), distúrbio metabólico agudo ou história prévia de convulsões afebris. Sua importância clínica reside na necessidade de diferenciar formas benignas de condições mais graves, como meningite ou encefalite. A fisiopatologia exata não é totalmente compreendida, mas envolve a imaturidade do cérebro infantil e a resposta inflamatória à febre. O diagnóstico é clínico, baseado na história e exame físico, e na exclusão de outras causas. É crucial observar a idade do paciente, as características da crise (generalizada ou focal, duração) e a presença de recorrência. A ausência de sinais de irritação meníngea e a recuperação completa pós-ictal são pontos chave para o diagnóstico de crise febril simples. O tratamento da crise convulsiva febril simples é geralmente de suporte. Durante a crise, o foco é na segurança da criança e na manutenção das vias aéreas. Após a crise, a investigação da causa da febre é prioritária. O prognóstico é excelente, com baixo risco de epilepsia futura e sem impacto no desenvolvimento neuropsicomotor. A educação dos pais sobre a natureza benigna do quadro é fundamental.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para crise convulsiva febril simples?

Os critérios incluem idade entre 6 meses e 5 anos, convulsão generalizada, duração inferior a 15 minutos, ocorrência de apenas um episódio em 24 horas e ausência de déficit neurológico pós-ictal.

Qual a conduta inicial para um lactente com crise convulsiva febril?

Durante a crise, garantir a segurança da criança e posicioná-la de lado. Após a crise, avaliar o estado geral, buscar a causa da febre e descartar infecção do sistema nervoso central. Antitérmicos são indicados para a febre.

Como diferenciar uma crise convulsiva febril simples de uma complexa?

A crise complexa difere da simples por apresentar características como duração superior a 15 minutos, ser focal, ou ocorrer múltiplas vezes em um período de 24 horas, além de poder estar associada a déficit neurológico pós-ictal.

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