UNIRV - Universidade de Rio Verde (GO) — Prova 2020
Um pré-escolar de 3 anos de idade apresentou crise convulsiva em casa, tônico-clônica generalizada, com liberação de esfincter, com duração de três minutos. Já no pronto-atendimento, observou-se sonolência 30 min após a crise, melhorando após esse período. A mãe nega alergias ou antecedentes de internações, cirurgias ou outro episódio semelhante à crise. A mãe relatava tosse e coriza há um dia, e no exame físico observaram-se sinais vitais preservados, FC 125bpm, FR 44 irpm, temperatura axilar de 38 graus, PA 86/48mmHg, ausculta cardíaca e respiratória normais, hiperemia de orofaringe, ausência de meningismo ou sinais neurológicos focais. Nesse momento, a conduta mais adequada seria:
Crise convulsiva febril simples = criança 6m-5a, generalizada <15min, sem foco, febre → tranquilizar e sintomáticos.
Uma crise convulsiva febril simples é um evento benigno que ocorre em crianças de 6 meses a 5 anos, associado à febre, sem evidência de infecção do sistema nervoso central ou causa neurológica subjacente. A conduta inicial é tranquilizar os pais e tratar a febre.
A crise convulsiva febril é o tipo mais comum de convulsão na infância, afetando cerca de 2-5% das crianças entre 6 meses e 5 anos. É definida como uma convulsão que ocorre na presença de febre (temperatura >38°C), sem evidência de infecção intracraniana ou causa neurológica definida, e em crianças sem história prévia de convulsões afebris. É um evento benigno, mas que gera grande ansiedade nos pais. A fisiopatologia exata não é totalmente compreendida, mas acredita-se que a imaturidade cerebral e a predisposição genética, combinadas com a elevação rápida da temperatura, desempenhem um papel. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios de crise febril simples (generalizada, <15min, única em 24h, sem foco neurológico) ou complexa (focal, >15min, múltipla em 24h, com foco neurológico). A conduta para uma crise febril simples é principalmente de suporte e educação familiar. Não há indicação de exames complementares extensos (como EEG ou neuroimagem) de rotina. O tratamento da febre e a observação são suficientes. O prognóstico é excelente, com baixo risco de sequelas neurológicas ou desenvolvimento de epilepsia.
Os critérios incluem idade entre 6 meses e 5 anos, crise tônico-clônica generalizada com duração inferior a 15 minutos, ocorrência de apenas uma crise em 24 horas e ausência de sinais de infecção do sistema nervoso central ou doença neurológica prévia.
A conduta inicial é tranquilizar os pais, orientar sobre o controle da febre e observar o paciente por algumas horas. Não há necessidade de internação ou investigação extensa se os critérios de benignidade forem preenchidos.
O risco de desenvolver epilepsia após uma crise convulsiva febril simples é ligeiramente maior do que na população geral, mas ainda é baixo (cerca de 1%). Fatores de risco para epilepsia incluem crises febris complexas ou história familiar de epilepsia.
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