Crise Convulsiva Febril Simples: Diagnóstico e Conduta Pediátrica

SMS Curitiba - Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba (PR) — Prova 2024

Enunciado

L.P.F., 2 anos, dá entrada no pronto-socorro acompanhada da mãe, com relato de que o filho iniciou com quadro de febre e logo após evoluiu com perda de consciência, hipertonia e abalo de membros superiores e inferiores durante 5 minutos, apresentou sonolência por cerca de 10 minutos após com recuperação de nível de consciência espontânea. Refere que o filho apresenta quadro de tosse e coriza há 2 dias e que os contactantes em domicílio estão com os mesmos sintomas. Exame físico completo sem particularidades, exceto por roncos de transmissão à ausculta. Nega uso de antibiótico no momento ou histórico de crise convulsiva. Qual a conduta a seguir?

Alternativas

  1. A) Alta com sintomáticos e orientações.
  2. B) Encaminhamento ambulatorial ao neurologista.
  3. C) Coleta de laboratoriais e punção lombar.
  4. D) Solicitar internação para realização de eletroencefalograma.

Pérola Clínica

Criança 2a + febre + convulsão generalizada <15min + recuperação completa + sem histórico = Crise Convulsiva Febril Simples → Alta com orientações.

Resumo-Chave

O quadro descrito de uma criança de 2 anos com febre, convulsão generalizada de curta duração (5 minutos), recuperação espontânea e sem histórico prévio de convulsões, em um contexto de infecção viral respiratória, é clássico de uma crise convulsiva febril simples. Nesses casos, a conduta apropriada após a estabilização e exclusão de outras causas é a alta hospitalar com orientações aos pais sobre o manejo da febre e o que fazer em caso de nova crise.

Contexto Educacional

A crise convulsiva febril é o tipo mais comum de convulsão na infância, afetando cerca de 2% a 5% das crianças. É definida como uma convulsão que ocorre em crianças de 6 meses a 5 anos de idade, associada à febre (temperatura >38°C), na ausência de infecção do sistema nervoso central (SNC), distúrbio metabólico agudo ou histórico de convulsões afebris. A maioria é do tipo simples, sendo um evento benigno e com bom prognóstico. A fisiopatologia não é completamente compreendida, mas acredita-se que a imaturidade cerebral e a predisposição genética desempenham um papel na resposta do cérebro à febre. O diagnóstico é clínico, baseado na história e exame físico. É crucial diferenciar a crise febril simples da complexa e de outras condições mais graves, como meningite ou encefalite, que exigem investigação e tratamento específicos. A recuperação pós-ictal é geralmente rápida e completa na crise simples. O manejo agudo da crise envolve medidas de suporte e segurança. Após a crise, a conduta para uma crise febril simples é a alta com sintomáticos e orientações claras aos pais sobre o controle da febre, o que fazer em caso de nova crise e a natureza benigna do quadro. Não há indicação de profilaxia anticonvulsivante contínua. O prognóstico é excelente, com baixo risco de epilepsia futura, mas há um risco de recorrência de crises febris.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para classificar uma crise convulsiva febril como 'simples'?

Uma crise convulsiva febril é classificada como simples se for generalizada (tônico-clônica), durar menos de 15 minutos, não se repetir dentro de 24 horas e não apresentar déficits neurológicos pós-ictais. Ocorre em crianças entre 6 meses e 5 anos de idade, associada à febre sem evidência de infecção do sistema nervoso central ou histórico de convulsões afebris.

Qual a conduta inicial para uma criança que apresenta uma crise convulsiva febril simples?

A conduta inicial é garantir a segurança da criança durante a crise, protegendo-a de lesões. Após a crise, é fundamental avaliar o estado de consciência e realizar um exame físico completo para identificar a causa da febre. Se os critérios de crise febril simples forem preenchidos e não houver sinais de alerta, a criança pode receber alta com orientações.

Quando é necessário investigar outras causas ou realizar exames adicionais após uma crise febril?

Exames adicionais como punção lombar ou eletroencefalograma são indicados em casos de crise convulsiva febril complexa (focal, prolongada >15min, recorrente em 24h, pós-ictal prolongado), sinais de infecção do SNC, idade atípica (<6 meses ou >5 anos), ou se houver preocupação clínica com outra etiologia.

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