HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2021
Padmé vai a UBS (Unidade Básica de Saúde) para pedir orientações sobre sua filha Leia, de 4 anos. A garota apresentou uma crise convulsiva do tipo tônico-clônica generalizada há dois dias. Na ocasião, ela estava com febre 39,5ºC, e a crise ''durou pouco tempo, que quando fomos para o hospital, já havia passado''. Na consulta, Leia está afebril, ativa, com coriza e não há alterações no exame físico. A mãe estava apreensiva porque ''não foi passado nenhum remédio para evitar novas convulsões''. A mãe também está preocupada se seu filho Luke, de 10 anos, terá convulsões. Qual a melhor conduta para esse caso?
Crise convulsiva febril simples: < 15min, generalizada, 1x/24h. Não requer investigação extensa nem profilaxia contínua. Risco de epilepsia não ↑ significativamente.
A crise convulsiva febril simples é um evento benigno, autolimitado e não requer investigação complementar extensa (EEG, TC) nem profilaxia medicamentosa contínua. É fundamental tranquilizar os pais e orientar sobre o manejo da febre e o que fazer em caso de nova crise. O risco de epilepsia após uma crise febril simples é baixo.
A crise convulsiva febril (CCF) é o evento convulsivo mais comum na infância, afetando cerca de 2% a 5% das crianças entre 6 meses e 5 anos de idade. É definida como uma convulsão associada à febre (temperatura > 38°C) na ausência de infecção do sistema nervoso central, distúrbio metabólico agudo ou história de crise convulsiva afebril prévia. A maioria das CCFs são do tipo simples, caracterizadas por serem generalizadas, com duração inferior a 15 minutos e ocorrendo apenas uma vez em um período de 24 horas. A fisiopatologia exata não é totalmente compreendida, mas envolve uma predisposição genética e a imaturidade do cérebro infantil, que é mais suscetível a descargas elétricas anormais em resposta à febre. É importante ressaltar que a CCF simples é um evento benigno e não causa dano cerebral ou atraso no desenvolvimento. O manejo da CCF simples consiste principalmente em tranquilizar os pais, orientar sobre o controle da febre e o que fazer em caso de uma nova crise (colocar a criança em posição segura, não tentar conter a língua). Não há indicação de profilaxia medicamentosa contínua com anticonvulsivantes, pois os riscos superam os benefícios. Exames complementares como eletroencefalograma (EEG) ou neuroimagem (tomografia, ressonância) não são necessários em casos típicos de CCF simples. O risco de recorrência é de aproximadamente 30-35%, e o risco de desenvolver epilepsia é baixo, similar ao da população geral.
Uma crise febril simples é generalizada, dura menos de 15 minutos, ocorre apenas uma vez em 24 horas e não se repete na mesma doença febril. Não há sinais focais ou déficits neurológicos pós-crise.
Não, em casos de crise febril simples típica, sem sinais de alarme ou anormalidades neurológicas ao exame físico, exames complementares como EEG ou tomografia não são rotineiramente indicados.
O risco de desenvolver epilepsia após uma crise febril simples é apenas ligeiramente maior que o da população geral (cerca de 1%), sendo significativamente maior apenas em casos de crises febris complexas ou com fatores de risco adicionais.
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