Crise Convulsiva Febril Simples: Manejo, Orientação e Prognóstico

FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2015

Enunciado

Menino de 20 meses apresentou crise convulsiva tônico-clônica generalizada, que durou três minutos. Logo após a crise ficou sonolento, mas 30 minutos depois não apresentava mais nenhuma anormalidade. A mãe relatou coriza e tosse há um dia. Exame físico: TAx.: 39,2°C; FC: 110 bpm; FR: 30 irpm; PA: 84 x 48 mmHg, eritema acentuado da orofaringe, ausência de rigidez de nuca ou deficit neurológicos focais. A conduta apropriada é:

Alternativas

  1. A) Orientar os pais acerca da benignidade do quadro.
  2. B) Prescrever fenobarbital como profilático.
  3. C) Realizar punção lombar e hemoculturas.
  4. D) Internar para observação rigorosa.
  5. E) Prescrever antibiótico intravenoso.

Pérola Clínica

Crise convulsiva febril simples → orientar pais sobre benignidade e não iniciar profilaxia contínua.

Resumo-Chave

Uma crise convulsiva febril simples é um evento benigno, autolimitado, que ocorre em crianças de 6 meses a 5 anos com febre, sem infecção do SNC ou história de convulsão afebril. A conduta inicial é afastar causas graves e orientar os pais sobre a benignidade e o baixo risco de recorrência.

Contexto Educacional

A crise convulsiva febril é o tipo mais comum de convulsão na infância, afetando cerca de 2% a 5% das crianças entre 6 meses e 5 anos de idade. É definida como uma convulsão associada à febre (temperatura ≥ 38°C), na ausência de infecção do sistema nervoso central (SNC), distúrbio metabólico agudo ou história prévia de convulsões afebris. É um evento benigno, com excelente prognóstico. A maioria das crises febris são classificadas como simples: são tônico-clônicas generalizadas, com duração inferior a 15 minutos e sem recorrência em 24 horas. O caso descrito se encaixa perfeitamente nesse perfil. Após a crise, a criança pode apresentar um período pós-ictal de sonolência, mas sem déficits neurológicos focais. É crucial, na primeira crise, excluir outras causas de convulsão, como meningite, especialmente em lactentes jovens, embora o exame físico do paciente descrito não sugira infecção do SNC. A conduta apropriada para uma crise febril simples é tranquilizar e orientar os pais sobre a benignidade do quadro, o excelente prognóstico e o baixo risco de epilepsia futura. Não há indicação de profilaxia medicamentosa contínua, pois os riscos dos medicamentos superam os benefícios para uma condição autolimitada e sem sequelas. O tratamento se concentra no controle da febre e na observação, com retorno ao pronto-socorro em caso de nova crise ou sinais de alerta.

Perguntas Frequentes

Quais os critérios para uma crise convulsiva febril ser classificada como simples?

Uma crise febril simples é tônico-clônica generalizada, dura menos de 15 minutos, não se repete em 24 horas e não há sinais de infecção do SNC, déficit neurológico focal ou história prévia de epilepsia.

Qual a conduta inicial após uma crise convulsiva febril simples?

A conduta inicial é afastar causas graves (como meningite), controlar a febre e, principalmente, orientar os pais sobre a benignidade do quadro, o excelente prognóstico e o baixo risco de sequelas neurológicas ou epilepsia futura.

É indicada a profilaxia medicamentosa contínua para crises convulsivas febris simples?

Não, a profilaxia medicamentosa contínua (ex: fenobarbital) não é recomendada para crises febris simples devido aos efeitos colaterais dos medicamentos e à natureza benigna e autolimitada da condição, com baixo risco de recorrência e sem impacto no desenvolvimento.

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