INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2022
Criança de 4 anos de idade, sexo feminino, foi levada ao prontosocorro (PS) devido a quadro de crise convulsiva tônico-clônica generalizada, iniciada havia aproximadamente 10 minutos, associada a febre. Ao chegar ao PS, a criança encontrava-se no colo do pai, acordada, com temperatura axilar de 37 °C. Na história clínica, a mãe relatou que a crise tinha sido rápida e que ocorreu logo após ela ter administrado à criança medicação para febre, que se encontrava em 38,5 °C. Negou doença neurológica e outros sinais e sintomas. A criança tinha apresentado crise semelhante com 18 meses de idade. As crises eram sempre com febre. A criança ficou em observação por 12 horas, sem novas crises, sem alterações metabólicas. A partir do prontuário da família, o plantonista observou que a família estava em vulnerabilidade social e que, havia 2 anos, um filho do casal, de 1 mês de idade, tivera morte súbita.Considerando o acompanhamento dessa família, assinale a opção que explicita um projeto terapêutico adequado ao caso.
Crise convulsiva febril simples: tranquilizar pais, descartar causas graves e garantir acompanhamento longitudinal.
Crises convulsivas febris simples são benignas e comuns em crianças. O manejo foca em tranquilizar os pais, educar sobre a condição e garantir acompanhamento longitudinal, sem necessidade de exames invasivos ou internação prolongada se o quadro for típico.
A crise convulsiva febril é um dos eventos neurológicos mais comuns na infância, afetando cerca de 2% a 5% das crianças entre 6 meses e 5 anos de idade. Embora assustadora para os pais, a maioria das crises febris é benigna e não resulta em sequelas neurológicas a longo prazo. O diagnóstico de crise convulsiva febril simples é clínico, baseado nas características da crise (generalizada, <15 min, única em 24h) e na ausência de infecção do sistema nervoso central ou histórico de doença neurológica prévia. O manejo inicial no pronto-socorro envolve a estabilização da criança, controle da febre e exclusão de causas mais graves, como meningite ou encefalite. Uma vez estabelecido o diagnóstico de crise febril simples, o foco principal do projeto terapêutico deve ser a orientação e tranquilização dos pais. É fundamental explicar a natureza benigna da condição, o risco de recorrência (que é maior em crianças com histórico familiar ou que tiveram a primeira crise antes dos 12 meses) e como agir em caso de nova crise. No caso apresentado, a presença de vulnerabilidade social e o histórico de morte súbita de um irmão adicionam uma camada de complexidade emocional para a família. Nesses contextos, o acompanhamento longitudinal e a construção de um vínculo de confiança com a equipe de saúde são ainda mais importantes. O profissional deve estar atento não apenas aos aspectos clínicos, mas também aos psicossociais, oferecendo suporte e encaminhamentos adequados, se necessário, para garantir o bem-estar da criança e da família. Evitar exames desnecessários e internações prolongadas é crucial para não sobrecarregar ainda mais famílias em situação de vulnerabilidade.
Uma crise convulsiva febril simples é generalizada (tônico-clônica), dura menos de 15 minutos, ocorre apenas uma vez em 24 horas e não tem sinais de infecção do sistema nervoso central. Geralmente ocorre entre 6 meses e 5 anos de idade, associada a febre.
Não, exames de imagem cerebral como a tomografia não são rotineiramente indicados para crises convulsivas febris simples. A investigação é reservada para casos atípicos, com sinais neurológicos focais, alteração do estado mental persistente ou suspeita de infecção do SNC.
Esses fatores aumentam a ansiedade dos pais e a necessidade de um suporte psicossocial robusto. O profissional de saúde deve oferecer escuta ativa, tranquilizar a família, fornecer informações claras e garantir um acompanhamento longitudinal que considere o contexto social e emocional da família.
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